Conselho de Segurança da ONU se reúne após morte de membros das forças de paz no Líbano
Reunião ocorreu a pedido da França
O Conselho de Segurança da ONU se reuniu hoje em uma sessão de emergência, a pedido da França, após a morte em menos de 24 horas de três membros da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) no sul do território libanês.
As forças de paz da ONU no Líbano informaram que dois dos seus membros foram mortos na segunda-feira (30) numa explosão de "origem desconhecida" que destruiu um veículo perto da aldeia de Bani Hayyan, matando dois soldados da força de paz e ferindo gravemente outros dois. Também outro membro da FINUL morreu no domingo, quando um projétil atingiu a sua posição.
As Nações Unidas declararam que não ficou claro quem estava por trás do lançamento do projétil e da explosão e os incidentes estão sob investigação. O subsecretário-geral para as operações de paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix, disse que os três membros da FINUL eram do exército indonésio.
O ministro das Relações Exteriores da Indonésia, condenou os ataques, que classificou de hediondos, e acrescentou que discutiu o assunto com o secretário-geral da ONU, António Guterres, tendo solicitado uma investigação rápida, exaustiva e transparente. "A segurança e a proteção dos soldados da força de paz da ONU não são negociáveis e devem ser garantidas em todos os momentos", afirmou o diplomata
O Ministério da Defesa da Indonésia também destacou que a segurança das forças de manutenção da paz deve ser a principal prioridade. "Espera-se que todas as partes envolvidas no conflito respeitem o direito internacional humanitário e garantam a segurança do pessoal de manutenção da paz", diz o comunicado.
Além disso, as Forças de Defesa de Israel anunciaram que analisa o caso para determinar se as mortes resultaram de atividades do Hezbollah ou de fogo israelense, salientando que estes incidentes ocorreram numa zona de combate ativa.
Estas três mortes elevam para 97 o número de membros das forças de paz da FINUL mortos por atos maliciosos desde o início da missão, em 1978. No total, mais de 330 membros do pessoal da FINUL morreram no cumprimento do dever, o número mais alto de qualquer operação de manutenção da paz da ONU.
Intensificação dos combates
O Líbano foi arrastado para o conflito no Oriente Médio quando militantes do grupo xiita libanês Hezbollah, apoiados pelo Irã, lançaram mísseis contra Israel no dia 2 de março, num ato que afirmaram ser de vingança e retaliação pela morte do aiatolá Ali Khamenei.
Desde então, Israel tem atacado repetidamente alvos do grupo no sul do Líbano, assim como a capital Beirute. Israel já enviou milhares de soldados através da fronteira para o Líbano, enquanto as forças israelenses e o Hezbollah travam intensos combates no terreno há pelo menos três semanas. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, avisou que pretende assumir o controle de toda a área a sul do rio Litani, cerca de 30 quilômetros a norte da fronteira, e que os residentes libaneses deslocados não serão autorizados a regressar até que Israel decida que a sua fronteira norte está segura.
A coordenadora especial da ONU para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaer , afirmou que o impacto humanitário no Líbano atingiu níveis devastadores. “Três membros das forças de paz da ONU e os nove paramédicos libaneses mortos apenas nos últimos dias fazem parte de um balanço de vítimas que já ultrapassa as 1.240 pessoas, enquanto mais de um milhão de pessoas continuam deslocadas. Uma coisa é clara: quanto mais tempo isto se prolongar, mais difícil será recuperar. À medida que a retórica maximalista se intensifica, a perspectiva de um acordo negociado se torna assustadora. Mas temos de começar por algum lado", declarou, acrescentando que apesar dos ganhos militares táticos possam produzir vitórias a curto prazo, dentro e fora do campo de batalha, estes arriscam prejudicar a longo prazo a estabilidade e a prosperidade que tanto os libaneses como os israelenses merecem.