OMS alerta que situação sanitária em Cuba é profundamente preocupante
A grave crise energética de Cuba acarreta cortes de luz diários que podem durar até 20 horas e também já causou recentemente dois apagões completos
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou hoje que a situação em Cuba é profundamente preocupante, uma vez que o país luta para manter a prestação de serviços de saúde num momento de enormes turbulências, provocados pelos cortes frequentes de energia que afetam o seu sistema sanitário.
"A saúde deve ser protegida a todo custo e nunca estar à mercê da geopolítica, dos bloqueios energéticos e das falhas de eletricidade", defendeu o chefe da OMS.
Segundo Tedros, os hospitais cubanos têm sérias dificuldades em manter os seus serviços de urgência e cuidados intensivos. "Milhares de intervenções cirúrgicas foram adiadas no último mês, e pessoas que necessitam de cuidados de saúde, desde pacientes com câncer até mulheres grávidas, foram colocadas em risco devido à falta de eletricidade para operar os equipamentos médicos e garantir a cadeia de frio para as vacinas. Os hospitais cubanos, as clínicas e as ambulâncias são necessários, agora mais do que nunca, e precisam ser apoiados", disse.
A grave crise energética de Cuba acarreta cortes de luz diários que podem durar até 20 horas e também já causou recentemente dois apagões completos. A ilha enfrenta há cerca de três meses o embargo petrolífero dos Estados Unidos no fornecimento de combustível, o que agravou significativamente a situação. Desde a captura pelos EUA do presidente venezuelano Nicolás Maduro, principal aliado de Cuba, a economia foi mais duramente atingida.
O precário setor da eletricidade cubano com suas infraestruturas obsoletas aliado a escassez de combustível obrigou diversos hotéis a fechar as portas e suspender reservas dos turistas, assim como companhias aéreas terem que reduzir drasticamente os seus voos para o país, um duro golpe para um segmento essencial da sua economia.
Para além dos cortes diários de eletricidade, o preço da pouca oferta de combustível disparou, os transportes públicos são praticamente inexistentes e o lixo se acumula por toda Havana e nas demais cidades, porque os caminhões de coleta deixaram de circular, piorando as condições sanitárias e o risco do surgimento de doenças.