Trump nega que esteja 'desesperado' por fechar acordo com o Irã
Em sua primeira reunião de gabinete desde o início da operação conjunta entre Estados Unidos e Israel, Trump insistiu que o Irã estava "todo ferrado" e que estava "implorando" por um acordo, apesar das negativas de Teerã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta quinta-feira (26), estar "desesperado" para fechar um acordo com o Irã, enquanto mesclava ameaças com diplomacia numa tentativa de pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Em sua primeira reunião de gabinete desde o início da operação conjunta entre Estados Unidos e Israel, Trump insistiu que o Irã estava "todo ferrado" e que estava "implorando" por um acordo, apesar das negativas de Teerã.
Mas Trump rejeitou as versões de que estaria buscando uma saída, enquanto os preços do petróleo disparam e aumenta a pressão política para evitar o tipo de guerra prolongada no Oriente Médio que ele próprio desprezou no passado.
"Hoje li uma matéria que dizia que estou desesperado para conseguir um acordo", disse Trump a jornalistas. "É exatamente o contrário. Eu não me importo", assegurou.
O Irã afirma que não há negociações diretas.
Durante a reunião televisionada de 90 minutos na Casa Branca, Trump oscilou entre ameaças reiteradas de "aniquilar" o Irã e afirmações de que o país estava à beira da capitulação.
"Eles querem chegar a um acordo. A razão pela qual querem chegar a um acordo é que o país ficou todo ferrado", disse o republicano.
"Calculamos que levaria aproximadamente de quatro a seis semanas para cumprir nossa missão. No vigésimo sexto dia, estamos extremamente, realmente, muito avançados", afirmou.
"Eles são péssimos combatentes, mas grandes negociadores e estão suplicando por um acordo", declarou Trump na Casa Branca ao lado de membros do alto escalão, entre eles o secretário de Estado, Marco Rubio, e o chefe do Pentágono, Pete Hegseth.
O presidente americano também criticou os aliados da Otan depois que rejeitaram seus apelos para enviar recursos navais a fim de garantir a segurança do Estreito de Ormuz, o gargalo do petróleo que o Irã fechou na prática.
"Vou dizer isso publicamente. Estamos muito decepcionados com a Otan, porque a Otan não fez absolutamente nada", disse Trump.
Durante a reunião, o enviado especial americano Steve Witkoff confirmou pela primeira vez que os Estados Unidos haviam enviado ao Irã uma "lista de ações" de 15 pontos por meio do Paquistão como mediador da proposta.
Witkoff, empresário que chefiou as conversas com o Irã nas semanas que antecederam o início dos ataques americanos-israelenses, disse que há "fortes indícios" de que Teerã está disposto a chegar a um acordo.
"Vamos ver para onde as coisas vão e se conseguimos convencer o Irã de que este é o ponto de inflexão, sem boas alternativas para eles, além de mais morte e destruição", afirmou Witkoff.
Hegseth atacou a mídia por não apoiar a guerra de Trump, antes de elogiar o presidente por "fazer o trabalho do mundo livre".
"Rezamos por um acordo e acolhemos um acordo", disse Hegseth. "Mas, enquanto isso... o Departamento de Guerra continuará negociando com bombas", declarou.