Cuba diz que se prepara para uma possível agressão militar dos EUA
Vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba afirmou que as forças armadas cubanas estão sempre preparadas e que atualmente se preparam para esse cenário.
Em entrevista ao canal norte-americano NBC News, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío revelou que o país se prepara para uma possível agressão dos Estados Unidos.
Em meio à tensão crescente entre os dois países e a grave crise energética enfrentada pela ilha, Cossío afirmou que as forças armadas cubanas estão sempre preparadas e que atualmente se preparam para esse cenário. O diplomata destacou que seria ingênuo não haver considerado essa possibilidade após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela e do ataque militar ao Irã.
Entretanto, Cossío disse que o governo cubano não considera provável um conflito armado e que Havana espera realmente que isso não aconteça, assinalando que não existe justificativa para uma ação militar contra a ilha. “Cuba é uma nação pacífica e não representa uma ameaça para os EUA”, afirmou, sublinhando, porém que o seu país tem o direito de se defender.
Mas, Cassío reiterou a vontade do seu governo de manter o diálogo com Washington, embora as tensões tenham escalado desde as medidas adotadas pela administração norte-americana, incluindo pressões econômicas, o bloqueio de combustível e as ameaças de possíveis ações mais diretas.
O vice-ministro denunciou que o impacto no endurecimento do embargo econômico, sobretudo de combustível, no qual Washington ameaçou impor tarifas a qualquer país que venda petróleo a Cuba, agravou ainda mais a crise energética na ilha, causando apagões frequentes e sérias dificuldades em setores como transportes e saúde. No domingo, Cuba sofreu um novo apagão geral, o segundo em menos de uma semana, deixando dez milhões de habitantes sem energia elétrica e em pleno caos.
O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, também manifestou no seu discurso na reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em Bogotá, a disponibilidade do governo para um diálogo sério e responsável com os EUA, mas sem "interferência" nos assuntos internos da ilha.
No entanto, Rodríguez criticou duramente o regresso de práticas imperialistas agressivas, seja de modo totalmente explícito ou apenas disfarçado pela retórica moderna. "A isto acresce a inclusão arbitrária de Cuba na lista unilateral de Estados que supostamente patrocinam o terrorismo, as ameaças de agressão militar e o recente decreto executivo que procura impor um bloqueio total ao nosso fornecimento de combustível, sob a premissa de que as dificuldades econômicas e o consequente custo humano forçarão o nosso povo a renunciar à sua soberania e independência. A doutrina da paz pela força, defendida por Washington, é o novo termo para dominação, intervenções militares, ameaças e uso da força", acusou, na capital colombiana.
Na semana passada, o presidente norte-americano, Donald Trump, indicou que seria uma grande honra ‘tomar’ Cuba. "Acho que posso fazer o que quiser com ela", disse.
Recentemente o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que a situação de Cuba está pior do que nunca, sob um Governo que é um desastre. Mas, negou que a administração Trump tenha pedido aos seus interlocutores em Cuba a renúncia do presidente Miguel Díaz-Canel.