Gás e petróleo disparam com agravamento da guerra no Oriente Médio
Israel e os EUA atacaram instalações iranianas do campo de gás natural South Pars, maior reserva de gás conhecida no mundo
Nesta quinta-feira (19), o barril de petróleo Brent para entrega em maio disparou mais de 10%, aproximando-se dos 120 dólares, afetado pela escalada do conflito no Oriente Médio, após os ataques iranianos a instalações energéticas de países da região. Por sua vez, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, também subiu 3,29 %, chegando a 99,49 dólares. Do mesmo modo, o preço do gás natural para entrega num mês no mercado TTF (Title Transfer Facility), referência na Europa, também disparou 25,5%, para 68,6 euros por megawatt-hora.
Na quarta-feira, Israel e os EUA atacaram às instalações iranianas do campo de gás natural South Pars, a maior reserva de gás conhecida no mundo, que o Irã compartilha com o Catar. O incidente marcou uma nova fase das tensões na guerra, com o aumento do temor de uma crise global de energia, e acrescentando mais pressão sobre o fornecimento, que já enfrenta o fechamento do Estreito de Ormuz, a rota marítima por onde passa 20% do comércio petrolífero mundial. O bloqueio do estreito já obrigou os países do Golfo Pérsico a reduzir drasticamente a produção, diminuindo a oferta mundial em petróleo em aproximadamente 7,5%, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).
Em retaliação ao ataque a South Pars/North Dome, Teerã atingiu a Cidade Industrial de Ras Laffan, no Catar, um centro energético fundamental, que processa cerca de um quinto do fornecimento global de GNL. Segundo a QatarEnergy, empresa estatal e maior produtora de gás natural e petróleo catari, a ofensiva provocou sérios danos ao complexo, destacando que qualquer atraso na exportação em Laffan poderá ter um impacto global enorme no preço e no abastecimento de GNL.
O governo de Teerã já ameaçou uma guerra econômica total e anunciou que atacaria instalações energéticas no Golfo Pérsico. "Planejamos atacar as infraestruturas de combustíveis, energia e gás dos países de onde os ataques foram lançados”, afirmou o Centro de Comando Conjunto, Khatam Al-Anbiya, em comunicado. O Irã acusa os países do Golfo de permitirem que as forças norte-americanas utilizem o seu território para atacá-lo.
Hoje, as forças iranianas intensificaram os ataques contra infraestruturas de energia dos países da região, que causou incêndios em instalações no Catar e no Kuwait.
O CEO da ADNOC, a petrolífera nacional de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, também informou que a sua infraestrutura energética foi atacada. "Trata-se de um ataque injustificado, não provocado e ilegal contra uma nação pacífica. Mas não se trata apenas de uma questão regional e, sim de uma guerra econômica global. Os fluxos de energia estão sendo usados como arma", afirmou o sultão Al Jaber.
Além disso, os carregamentos de petróleo no porto Yanbu, da Arábia Saudita, no Mar Vermelho, sofreram uma breve interrupção devido à evacuação dos funcionários na refinaria SAMREF da empresa Saudi Aramco, depois de ter sido interceptado nesta zona um míssil balístico e ainda um drone iraniano ter caído na refinaria. A Aramco, a maior exportadora mundial de petróleo, tenta aumentar as exportações sauditas de crude via Yanbu para compensar o bloqueio no Estreito de Ormuz, com os carregamentos atingindo volumes recorde em março. A maioria das cargas tem como destino a Ásia.
O Irã havia avisado que a refinaria SAMREF seria atacada em retaliação ao ataque do seu campo de gás de South Pars.
Por outro lado, a Arábia Saudita advertiu hoje o regime de Teerã que se reserva o direito de adotar ações militares, se o considerar necessário, em resposta aos ataques que tem sofrido. "O reino e os seus parceiros possuem capacidades significativas e a paciência que temos demonstrado não é ilimitada, Poderá ser em um dia, dois dias ou uma semana, não o direi”, afirmou o ministro das Relações Exteriores saudita, Faisal bin Farhan, após uma reunião com 11 países para abordar a situação.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse nesta quinta-feira que a administração Trump poderá revogar as sanções contra o petróleo iraniano que está sendo exportado, de modo a acalmar as preocupações do mercado com a elevação do preço. "Em essência, usaremos os barris iranianos contra os iranianos para manter o preço baixo pelos próximos 10 ou 14 dias, enquanto continuamos esta campanha militar”, indicou em entrevista ao canal Fox Business.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou "explodir completamente" o campo de gás natural South Pars.
Já o Ministério da Energia da Rússia declarou hoje que poderá introduzir uma proibição para algumas exportações de combustível devido à alta dos preços altos.
Por sua vez, o Conselho Europeu está reunido para discutir como a União Europeia (UE) pode conter os impactos da escalada militar no Oriente Médio assim como os elevados preços da energia, garantindo também segurança no abastecimento energético. A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, ainda confirmou que mantém contatos diplomáticos com o Irã para procurar diferentes soluções para o conflito e evitar o alastramento da guerra na região.