Diretor do Centro de Contraterrorismo dos EUA se demite e diz que Irã não era ameaça iminente
Joseph Kent, anuncio sua demissão na rede social X
O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joseph Kent, anunciou hoje sua demissão na rede social X, justificando estar em desacordo com a guerra iniciada pelos EUA e Israel no Irã.
Kent, em uma carta dirigida ao presidente norte-americano, Donald Trump, afirma que o Irã não representava uma ameaça iminente para o seu país.
“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. É evidente que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e ao seu influente lobby nos Estados Unidos. Rezo para que o senhor reflita sobre o que estamos fazendo no Irã e para quem o estamos a fazer. O momento de agir com coragem é agora. O senhor pode mudar o rumo e traçar um novo caminho para a nossa nação, ou permitir que continuemos a deslizar para o declínio e o caos. As cartas estão em suas mãos”, escreveu Kent, que apelou a Trump para cessar a guerra.
Conselho Europeu diz que não é claro o objetivo dos EUA e Israel
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, considera que o objetivo dos Estados Unidos e de Israel com a guerra contra o Irã, que “não é claro”, vai ditar a duração do conflito, e manifestou profunda preocupação com as consequências. “Penso que tudo depende de qual é o objetivo final desta missão e isso não é claro”, afirmou Costa, nas vésperas de uma cúpula europeia que começa amanhã que abordará a situação no Oriente Médio.
“Trata-se de uma iniciativa adotada pelos Estados Unidos e por Israel sem qualquer informação prévia aos aliados europeus. Expressamos a nossa profunda preocupação com as consequências desta guerra para a ordem internacional baseada em regras, com as consequências humanitárias e também com o impacto nos custos da energia na economia global. Assim como um risco muito elevado de aumento das tensões internacionais e riscos consideráveis para a estabilidade em toda a região do Oriente Médio. Enfrentamos ainda um risco grave para a segurança europeia, para a nossa segurança econômica, o risco de agravamento de uma crise humanitária e também, aprendendo com o passado, o risco do crescimento do terrorismo”, declarou.
Após cerca de três semanas a guerra já afetou vários setores na União Europeia (UE), como a elevação da inflação e a escassez de bens, o setor energético devido à instabilidade na produção e exportação de petróleo e gás, além do avanço dos preços mundiais.
Além disso, tem acarretado atrasos em cadeias de abastecimento e aumento de custos e milhares de deslocamentos de pessoas.
O Conselho Europeu pediu a todas as partes que se abstenham, que respeitem plenamente o direito internacional, sobretudo os princípios da Carta das Nações Unidas, e que dêem espaço à diplomacia.
ONU estima que guerra leve mais 45 milhões de pessoas à fome
As Nações Unidas alertaram nesta terça-feira (17) que mais 45 milhões de pessoas, principalmente da Ásia e África, serão afetadas pela insegurança alimentar aguda como consequência da guerra contra o Irã e respectivo impacto no Oriente Médio, marcando um novo recorde.
O Programa Alimentar Mundial (PAM), agência da ONU, avaliou que, este número será alcançado caso a o conflito não termine antes de meados do ano e o preço do petróleo se mantenha acima dos 100 dólares por barril. “A paralisação virtual do transporte marítimo no Estreito de Ormuz e os crescentes riscos para a navegação no mar Vermelho já estão elevando os preços da energia, do combustível e dos fertilizantes, agravando a fome para além do Oriente Médio”, avisou o PAM.
Atualmente, 318 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a insegurança alimentar. O organismo destacou que o mundo corre o risco de enfrentar uma crise de segurança alimentar semelhante à de 2022, após o início da guerra na Ucrânia, quando o número de pessoas atingidas atingiu o máximo histórico de 349 milhões.
O PAM advertiu que o impacto potencial é semelhante por causa da correlação entre os mercados da energia e dos alimentos, prevendo um aumento da insegurança alimentar de 24% na Ásia, 21% na África Ocidental e Central e 17% na África Oriental e Austral. Estas regiões têm uma alta dependência das importações de alimentos e combustível. “Sem uma resposta humanitária com financiamento suficiente, isto poderá significar uma catástrofe para milhões de pessoas que já vivem no limite”, disse Carl Skau, diretor adjunto do Programa Alimentar Mundial.