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Conselho Europeu critica suspensão de sanções dos EUA ao petróleo russo

Presidente do Conselho defendeu que aumentar a pressão econômica sobre a Rússia é decisivo para que Moscou aceite uma negociação séria para uma paz 'justa' e 'duradoura'

Por Isabel Alvarez

Presidente do Conselho Europeu, António Costa

O presidente do Conselho Europeu António Costa considerou hoje preocupante a suspensão temporária de sanções econômicas dos Estados Unidos ao petróleo da Rússia já em trânsito. "A decisão unilateral dos EUA de levantar sanções às exportações de petróleo russo é muito preocupante, tendo em conta que afeta a segurança europeia", indicou.

Costa defendeu que aumentar a pressão econômica sobre a Rússia é decisivo para que Moscou aceite uma negociação séria para uma paz justa e duradoura. "Enfraquecer as sanções eleva os recursos da Rússia na guerra de agressão contra a Ucrânia", salientou.

Já a Hungria pediu que a União Europeia seguisse o exemplo da administração Trump. "É preciso suspender as sanções ao petróleo bruto russo e é preciso permitir a entrada dos combustíveis russos no mercado europeu", disse Peter Szijjarto, ministro das Relações Exteriores húngaro.

Por sua vez, o presidente francês, Emmanuel Macron, reforçou as críticas ao Kremlin e declarou que a subida de preços do petróleo não pode de modo algum levar a uma revisão das sanções da UE a Moscou. “Nada nos demoverá dos nossos esforços na Ucrânia", apontou.



Macron ainda confirmou que os países do G7 vão manter as sanções contra o petróleo russo e sublinhou que a decisão dos EUA são temporárias e limitadas. "Quanto ao G7, à posição comum tem sido a de manter as sanções contra a Rússia, e para os europeus e para França, é também de mantê-las. A situação atual não justifica, de forma alguma, o levantamento destas sanções", enfatizou.

O líder da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também criticou a decisão norte-americana sobre o petróleo russo retido no mar. "Este simples alívio das sanções por parte dos EUA pode proporcionar à Rússia cerca de 10 bilhões de dólares para a guerra. Certamente não ajuda a alcançar a paz", acusou.

A Casa Branca anunciou ontem a autorização temporária à venda de petróleo russo armazenado em navios devido à escalada dos preços causados desde o início da guerra contra Irã. O Departamento do Tesouro norte-americano emitiu uma licença que autoriza a venda durante um mês de petróleo bruto e derivados russos carregados em navios antes de quinta-feira (12). “A decisão não proporcionará um benefício financeiro significativo ao governo russo", argumentou o Secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.


Em reação, Kirill Dmitriev, enviado para as questões econômicas do presidente da Rússia, Vladimir Putin, considerou que o petróleo russo é essencial para a estabilidade do mercado mundial. "Os Estados Unidos estão, na verdade, reconhecendo o óbvio: sem petróleo russo, o mercado global de energia não pode se manter estável", afirmou Dmitriev.

“Moscou acredita que o fim das sanções dos EUA sobre o petróleo russo é uma tentativa de Washington estabilizar os mercados energéticos globais”, reiterou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin.