EUA admitem dificuldades em garantir segurança no Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a levantar a possibilidade de escoltas militares a navios no Estreito
Nesta sexta-feira (13), o chefe do Estado-Maior norte-americano, Dan Caine, disse que o Estreito de Ormuz é um ambiente taticamente complexo e reconheceu que não será possível impedir, a curto prazo, os ataques iranianos contra os navios nessa importante rota marítima.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a levantar a possibilidade de escoltas militares a navios no Estreito, mas o secretário da Energia, Chris Wright, afirmou ontem que as forças norte-americanas ainda não tinham condições para isso e que talvez esse recurso pudesse acontecer até o final de março.
Mas, Caine admitiu que serão necessárias outras ações militares antes de poder equacionar a opção de uma operação para garantir a segurança no estreito por onde passa 20% do comércio petrolífero mundial. Mas também anunciou que hoje será o dia mais intenso no que se refere a ataques nesta zona.
"Alcançamos progressos, mas o Irã ainda conserva a capacidade de infligir danos às forças aliadas e ao tráfego marítimo comercial, por isso, o nosso trabalho nesta frente prossegue. Tornamos prioritário atacar a atividade de minagem do Irã, as bases navais e os armazéns, além dos mísseis que podiam influir na situação no estreito. Já foram atacados mais de 6 mil alvos e as incursões continuam a cada hora que passa", declarou Caine, acrescentando que a estratégia é a destruição dos ativos militares iranianos no Estreito de Ormuz.
O bloqueio do Estreito de Ormuz obrigou os países do Golfo Pérsico a reduzir drasticamente a produção, diminuindo a oferta mundial em petróleo em 7,5%, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA). A situação fez disparar os preços do petróleo que atingiram valores acima dos 100 dólares por barril, o que não acontecia desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.
Para conter a escalada de preços, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos comunicou uma medida que suspendeu temporariamente as sanções contra o petróleo da Rússia já em trânsito.
Já o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, apontou que as forças iranianas agem em absoluto desespero no Estreito de Ormuz e assegurou que os EUA não vão permitir um bloqueio do fluxo de bens comerciais. "Algo com que já estamos a lidar", afirmou.
Enquanto isso, a autoridade responsável pela vigilância da segurança marítima do Reino Unido recebeu relatos de que um navio foi atingido hoje por um “projétil desconhecido” no Estreito de Ormuz. Além disso, cerca de 20 mil marinheiros estão retidos em petroleiros e navios de carga no Golfo Pérsico. As tripulações reportaram a existência de drones, combates aéreos, falhas de GPS e escassez de água e alimentos.