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EUA diz que não está pronto para escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz

Trump reiterou num discurso de campanha para as eleições intercalares de novembro que os Estados Unidos já ganharam a guerra contra o Irã

Por Isabel Alvarez

Secretário da Energia norte-americano, Chris Wright

Nesta quinta-feira (12), o Secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, afirmou que os Estados Unidos simplesmente não estão prontos para escoltar navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, como prometido recentemente pelo presidente Donald Trump.

No entanto, Wright disse que isto esta previsto de acontecer relativamente em breve. “É uma dor de curto prazo para um ganho a longo prazo”, indicou, descrevendo algo que deve ser alcançado, caso contrário haverá décadas de um Irã que pode fazer do mundo seu refém sempre que quiser.

Já o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou ontem em entrevista a Sky News, que a Marinha norte-americana, possivelmente com uma coligação internacional, vai escoltar os navios através do Estreito de Ormuz assim que for militarmente possível.

Hoje, Trump reiterou num discurso de campanha para as eleições intercalares de novembro que os Estados Unidos já ganharam a guerra contra o Irã, no mesmo dia em que o presidente iraniano impôs diversas condições para acabar com o conflito.


Mas, os últimos ataques marcam uma escalada na campanha do Irã destinada a gerar danos econômicos globais suficientes para pressionar os EUA e Israel. A guerra não mostra sinais de abrandamento e o regime de Teerã continua a responder com mais bombardeios de retaliação em todo o Golfo.

Petróleo dispara mais uma vez


Os preços do petróleo voltaram a subir hoje e chega aos 100 dólares o barril com a sucessão de novos ataques iranianos aos abastecimentos no Oriente Médio, a continuação do bloqueio do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, além das ameaças de derrubar a economia global mesmo com o anuncio na véspera da medida recorde de liberar crude estratégico pela Agência Internacional de Energia. Para acalmar as preocupações com o fornecimento, os países membros da AIE concordaram em liberar 400 milhões de barris, dos quais 172 milhões são provenientes dos EUA que serão disponibilizados a partir da próxima semana.

No entanto, a medida ainda não foi capaz de superar os receios do mercado quanto à asfixia do abastecimento de energia, que já sofre seus efeitos. Os iranianos lançam ataques que visam infraestruturas de petróleo e bases militares norte-americanas no Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (Dubai), Bahrein, Kuwait, Catar, Iraque, Bahrein e Omã, em retaliação a ações de Israel e EUA. O Iraque já declarou que esta reduzindo a produção petrolífera devido à crise, seguido pelo Kuwait e a Arábia Saudita.

Os Guardas Revolucionários do Irã também avisaram que centros econômicos e bancos ligados aos interesses financeiros dos EUA e de Israel são alvos legítimos, o que levou várias grandes empresas internacionais a fecharem ou evacuarem os seus escritórios nos países do Golfo após as ameaças.

Por outro lado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, indicou que, em conjunto com os EUA, está trabalhando para criar condições que permitirão ao povo iraniano remover o regime cruel e tirano que os oprime há quase 50 anos. “Estamos desferindo golpes esmagadores às Guardas Revolucionárias, às suas bases, às suas forças de rua, aos seus postos de controle, e ainda há mais por vir. Com uma união de forças sem precedentes entre Israel e os Estados Unidos, alcançamos feitos extraordinários, conquistas que estão mudando o equilíbrio de poder no Oriente Médio e a ir mesmo para além dele”, destacou.