UE se dispõe a contribuir nas negociações para cessar a guerra no Irã
A declaração da UE surge depois da realização de uma reunião por videoconferência com os representantes de 13 países do Oriente Médio
Nesta segunda-feira (09), a União Europeia afirmou estar disposta para contribuir para reduzir as tensões e facilitar a retomada das negociações para resolver o conflito no Irã, assim como fica disponível para reforçar as missões navais do bloco no Oriente Médio para proteger os navios mercantes.
"A União Europeia (UE) é um parceiro de longa data e confiável para a região nestes momentos difíceis e está pronta para contribuir de todas as formas possíveis para ajudar a reduzir a tensão e facilitar o regresso à mesa das negociações para pôr fim à guerra no Irã. Os presidentes reafirmaram o seu compromisso com a estabilidade regional e apelaram à proteção dos civis e ao respeito total do direito internacional, da lei internacional humanitária e à obrigação de cumprir os princípios da Carta das Nações Unidas. A UE trabalhará com os países da região para restabelecer a paz e a estabilidade no Oriente Médio e na região do Golfo, e reafirma o seu compromisso duradouro com a parceria, a segurança e a prosperidade na região", diz a declaração conjunta das lideranças do Conselho Europeu e Comissão Europeia, respectivamente António Costa e Ursula von der Leyen.
A declaração da UE surge depois da realização de uma reunião por videoconferência com os representantes de 13 países do Oriente Médio, que contou também com a participação da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas. A nota ainda ressalta a importância das missões navais europeias Aspides e Atalanta, ambas no Oriente Médio, que visam proteger rotas marítimas críticas e prevenir qualquer disrupção a cadeias de abastecimento cruciais. No entanto, o texto não faz referência às ofensivas dos Estados Unidos e de Israel, mas condena nos termos mais fortes os ataques indiscriminados do Irã no Oriente Médio.
A missão naval Aspides, lançada em fevereiro de 2024, visa proteger navios comerciais e mercantes no Mar Vermelho, Golfo e Oceano Índico Ocidental de ameaças crescentes, como ataques do grupo Houthis do Iêmen. Enquanto a missão naval Atalanta, em vigor desde 2008, atua no Golfo de Aden e no Oceano Índico Ocidental, com o intuito de proteger navios de pirataria.
Costa e Von der Leyen destacaram acreditar firmemente que o diálogo e a diplomacia são a única via viável para avança, apesar de reconhecerem que a ordem internacional baseada em regras está sob pressão. Ambos disseram que a UE pediu reiteradamente às autoridades de Teerã para cessar o seu programa nuclear e restringi-lo a mísseis balísticos, além de terem condenado a repressão inaceitável e a violência perpetrada pelo regime iraniano contra os seus próprios cidadãos.
Além disso, Costa e Von der Leyen ainda manifestaram preocupação com a expansão da guerra para o Líbano, que está causando deslocações em larga escala e anunciaram o envio de ajuda humanitária urgente para 130 mil libaneses. “Pedimos respeito pela soberania e integridade territorial do país”, afirmaram, em alusão aos bombardeios e operações terrestres israelenses.
Crise se espalha
A crise no Médio Oriente já provocou até agora cerca de 735 mil novos deslocados na região, estimou hoje o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Sendo que aproximadamente 517 mil destes novos deslocados se concentram no Líbano, onde Israel lançou uma intensa ofensiva em retaliação ao disparo de projéteis do grupo xiita libanês Hezbollah
No relatório divulgado hoje, o ACNUR indica que pelo menos 734.700 pessoas se viram obrigadas a abandonar as suas casas devido à ofensiva dos Estados Unidos e de Israel no Irã, à retaliação do regime iraniano contra países terceiros do Golfo Pérsico e à guerra entre o Paquistão e o Afeganistão governado pelos talibãs.
A agência da ONU alertou que o aumento das hostilidades provocou uma degradação da situação humanitária no Oriente Médio, uma região que já contava 24,6 milhões de pessoas deslocadas antes dos mais recentes conflitos.