Comissão Europeia protegerá interesses comerciais do bloco após ameaça de Trump à Espanha
Por sua vez, Trump anunciou que Washington cortará o comércio com Madri
Nesta quarta-feira (4), a Comissão Europeia afirmou estar pronta para agir e proteger os interesses comerciais da União Europeia (UE), após as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de represálias a Espanha devido à oposição à guerra contra Irã.
“A Comissão garantirá que os interesses da UE sejam totalmente protegidos. Estamos em total solidariedade com todos os Estados-membros e todos os seus cidadãos e, através da nossa política comercial comum, estamos prontos para agir, se necessário, para salvaguardar os interesses da União Europeia. A UE e os EUA concluíram um importante acordo comercial no ano passado e esperamos que os Estados Unidos honrem plenamente os compromissos assumidos na declaração conjunta com vista a relações comerciais transatlânticas estáveis, previsíveis e mutuamente benéficas para o benefício de todos. O comércio entre a UE e os EUA é profundamente integrado e mutuamente benéfico. Salvaguardar esta relação, especialmente num momento de perturbação global, é mais importante do que nunca e claramente do interesse de ambas as partes”, declarou Olof Gillo, porta-voz do bloco da área comercial.
Enquanto isso, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, reiterou na véspera que é contra a guerra no Oriente Médio, iniciada com ataques norte-americanos e israelenses ao Irã e que não mudará de posição simplesmente por medo a retaliações.
“Se o governo americano quiser mudar sua relação comercial com a Espanha, deverá respeitar a autonomia das empresas privadas, a legalidade internacional e os acordos bilaterais entre a União Europeia e os EUA. A Espanha é um membro fundamental da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e que cumpre seus compromissos, contribuindo de forma destacada para a defesa do território europeu. Também é uma potência exportadora da União Europeia e um parceiro comercial confiável de 195 países do mundo, entre eles os EUA, com quem mantemos uma relação comercial histórica e mutuamente benéfica", disse.
Sánchez fez a afirmação após Trump ter criticado e ameaçado o governo espanhol por não autorizar o uso de bases norte-americanas de Rota e Morón, no sul do território da Espanha para realizar ofensivas contra Teerã.
Por sua vez, Trump, anunciou que Washington cortará o comércio com Madri. "A Espanha tem sido terrível. Vamos cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com Espanha", afirmou.
Já o primeiro-ministro espanhol ainda apelou pelo cessar imediato das hostilidades e a uma resolução diplomática do conflito. Sanchez enfatizou que é preciso exigir aos Estados Unidos, ao Irã e a Israel que parem antes que seja demasiado tarde.
“A posição do governo pode ser resumida nas palavras não à guerra”, indicou, acrescentando que os erros do passado não se repitam, em alusão à invasão do Iraque em 2003, que, segundo ele, não alcançou seus objetivos, gerou insegurança e piorou a vida de muitas pessoas.
Sánchez apontou também que os ataques do Irã podem ter impacto econômico semelhante para milhões de pessoas e que o seu governo estuda medidas para enfrentar a situação.