° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Hungria bloqueia novo pacote de sanções da UE contra Rússia

Bratislava afirma que cortará o fornecimento de eletricidade para a Ucrânia nesta segunda-feira (23)

Por Isabel Alvarez

Primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán

Após o intenso ataque russo que aconteceu no domingo em várias regiões do território ucraniano aumentam também as tensões entre Kiev e os países vizinhos, Eslováquia e Hungria. O governo húngaro do primeiro-ministro ultranacionalista, Viktor Orbán, já ameaçou bloquear um novo pacote de sanções da União Europeia contra Rússia. Enquanto isso, Bratislava ainda disse que cortará o fornecimento de eletricidade para a Ucrânia nesta segunda-feira (23).

Os dois governos acusam a Ucrânia de impedir entregas de petróleo russo aos seus países através do oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano e abastece a Europa central, e exigem a retomada imediata do fornecimento.

“Até que os ucranianos retomem os envios de petróleo para a Hungria, não permitiremos que decisões importantes para eles sejam aprovadas”, afirmou Péter Szijjarto, chanceler húngaro.


Já o primeiro-ministro eslovaco e aliado de Moscou, Robert Fico, acusou Zelenskyy de agir de forma maliciosa. “As interrupções no fornecimento de petróleo nos causaram mais prejuízos e dificuldades logísticas e a menos que as entregas sejam retomadas até segunda-feira, a Eslováquia interromperá o fornecimento emergencial de energia elétrica à Ucrânia”, avisou.

Por sua vez, Kiev alega que o oleoduto ficou danificado depois de um bombardeio russo em janeiro. Além disso, também informou que a sua empresa estatal de petróleo e gás, Naftogaz, garantiu o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA por meio de um terminal na Alemanha que será transportado por gasodutos através da Polônia ao país. A Ucrânia enfrenta uma forte crise nas suas infraestruturas energéticas por causa das frequentes ofensivas russas que provocaram sérios danos no seu abastecimento de luz em pleno rigorosos inverno. "Esta nova parceria abre uma nova rota de importação confiável para a Ucrânia este ano", afirmou o CEO da Naftogaz.

O ministro polonês das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, reagiu sobre o posicionamento da Hungria. "Esperava um sentimento de solidariedade muito maior da Hungria pela Ucrânia. E, em vez disso, com a ajuda da propaganda estatal, o partido no poder conseguiu criar um clima de hostilidade contra a vítima da agressão. E agora está tentando explorar isso na eleição geral. É bastante chocante", denunciou.

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reúnem nesta segunda-feira para discutir sobe as novas sanções contra Moscou. No entanto, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, adiantou que é pouco provável que consigam aprovar hoje o 20º pacote devido à oposição de Orbán.

"Vamos discutir o 20º pacote de sanções, mas, como todos sabem, não vai haver avanços nesta matéria hoje. Mas iremos certamente insistir nesta questão. A justificativa de Budapeste para o bloqueio, ligada ao oleoduto Druzhba, não tem nada a ver com o 20º pacote de sanções. Por isso, acho que não devíamos relacionar coisas que não têm nada a ver umas com as outras. Mas vamos ouvir as explicações deles, os motivos que apresentam para o bloqueio, e depois vamos ver quais são as possibilidades que temos para ultrapassá-los”, afirmou Kallas, uma vez que o pacote foi preparado para ser aprovado nessa reunião do bloco.

Kaja acrescentou que a UE está fazendo o seu melhor para conseguir adotar este pacote e disse que já conversou com vários membros do bloco que prometeram tentar convencer os países que estão impedindo o processo. “Mas ouvimos declarações muito fortes de Budapeste, por isso não estou vendo uma mudança de posição”, lamentou.

Os ministros do bloco europeu se encontram na véspera que assinala o quarto aniversário da guerra e a proposta inicial de sanções foi apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no começo de fevereiro. O pacote inclui restrições financeiras e comerciais, e ainda a proibição total de serviços marítimos para o petróleo bruto, um ponto que afeta países como a Grécia ou Malta, com fortes indústrias marítimas.