Toma posse o oitavo presidente do Peru em apenas uma década
Balcázar, de 83 anos, é o presidente mais velho da história peruana, e irá liderar o governo até 28 de julho
Nesta quinta-feira (19), o deputado José María Balcázar, do partido de esquerda Peru Livre, tomou posse como o novo presidente interino do Peru, após vencer a votação no parlamento depois da destituição do líder presidente interino, José Jerí. Esta foi à oitava mudança presidencial no país em quase uma década de instabilidade política desde as eleições de 2016.
"Defenderei a soberania nacional, a integridade física e moral da República e a independência das suas instituições democráticas. Ampliarei e aplicarei a Constituição Política e as leis do Peru", declarou ao ser empossado.
Balcázar, de 83 anos, é o presidente mais velho da história peruana, e irá liderar o governo até 28 de julho, quando tomará posse o chefe de Estado que será eleito nas eleições gerais de abril.
Na votação do parlamento, o deputado recebeu 64 dos 113 votos, vencendo a favorita, a candidata de direita María del Carmen Alva, que teve 46 votos. Balcázar venceu com o apoio de partidos de direita que já tinham rejeitado Alva, apos chegarem a um acordo para integrar o Governo interino.
No entanto, Balcázar, ex-ministro do Supremo Tribunal do Peru, também enfrenta várias investigações e já gerou críticas por ter defendido o casamento de menores, durante um debate sobre um projeto de lei para proibir tais uniões.
O Congresso do Peru aprovou na última terça-feira a destituição de José Jeri, político de direita que enfrenta duas investigações sobre presumível tráfego de influência, sendo acusado por má conduta funcional e falta de idoneidade para exercer o cargo, após um julgamento político relâmpago.
A exoneração de Jeri foi aprovada com 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções. Ele era o sétimo chefe de Estado peruano em 10 anos, e havia assumido o cargo em outubro de 2025.
A destituição de Jerí decorre em plena crise institucional enfrentada pelo Peru desde as eleições de 2016, quando um conflito permanente de poderes eclodiu entre o Parlamento, fortalecido, e o Executivo, desgastado, em um contexto de fragmentação partidária e ausência de consenso político.