° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Reunião trilateral entre Ucrânia EUA e Rússia deve ser retomada na próxima semana

Zelensky indicou que as conversações deverão se centralizar na difícil questão das concessões territoriais exigidas por Moscou, segundo publicado pela mídia

Por Isabel Alvarez

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky adiantou ao site da Bloomberg que a próxima rodada de negociações entre as delegações ucranianas, norte-americanas e russas sobre o fim da guerra está prevista de ocorrer na terça ou quarta-feira da próxima semana nos Estados Unidos. No entanto, destacou que não é claro se as autoridades da Rússia concordarão com a realização desse encontro nos EUA.

Zelensky indicou que as conversações deverão se centralizar na difícil questão das concessões territoriais exigidas por Moscou, segundo publicado pela mídia.

“Mas nem os russos, nem nós estamos interessados na ideia de compromisso dos EUA de estabelecer uma zona econômica livre na região oriental do Donbass. Se é o nosso território, e é o nosso território, então o país a que pertence deve governá-lo”, afirmou.

Entretanto, o líder ucraniano salientou que os últimos ataques da Rússia mostram que as garantias de segurança prosseguem sendo ainda uma prioridade nas negociações de paz. “Todos os problemas devem ser resolvidos tendo isso em conta. Enquanto as forças de Moscou continuar a matar pessoas e a destruir a nossa infraestrutura, não haverá confiança suficiente do público na diplomacia ativa", disse.

A Rússia e a Ucrânia realizaram dois encontros de negociações diretas nas últimas semanas, mediadas pelos Estados Unidos, que decorreram nos Emirados Árabes Unidos

Enquanto isso, Rustem Umerov, chefe da equipe de negociação ucraniana e secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, contou que discutiu hoje os desenvolvimentos das conversações de paz com os principais parceiros europeus de Kiev, entre eles, Alemanha, França e Reino Unido e uma segunda com os da Dinamarca, Lituânia, Letônia, Estônia, Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia.

Já a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, indicou que irá propor uma lista de concessões que a União Europeia (UE) deve exigir à Rússia como parte de um acordo para acabar com a guerra na Ucrânia. "Todos à mesa das negociações, incluindo russos e americanos, têm de compreender que é necessário que os europeus concordem com o acordo de paz. E para isso também temos condições. E devemos impor estas condições não aos ucranianos, que já estão sob muita pressão, mas aos russos", declarou Kallas.

Mas, o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Grushko, defende que um eventual acordo de paz na Ucrânia deve incluir garantias de segurança para a Rússia e que qualquer acordo de paz seria impossível sem essa exigência. "Reconhecemos que um acordo de paz na Ucrânia deve ter em conta os interesses de segurança da Ucrânia, mas a importância fundamental, claro, reside nos interesses de segurança da Rússia", argumentou.

Grushko ainda criticou os dirigentes da Europa que nem ponderam sobre as preocupações de Moscou. "Se analisarmos cuidadosamente todas as declarações feitas pelos líderes da União Europeia, ninguém menciona garantias para a segurança da Rússia. Este é um elemento essencial para se chegar a um acordo. Sem ele, nenhum tratado de paz é possível”, avisou, incluindo no contexto a proibição da adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O vice-ministro russo também insistiu na recusa do envio de tropas estrangeiras para a Ucrânia, proposta por Kiev como uma possível garantia de segurança.