° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Crise energética em Cuba atinge vôos internacionais e fecha hotéis

De acordo com o governo cubano, a escassez de combustível é atribuída ao reforço da pressão energética dos Estados Unidos

Por Isabel Alvarez

Havana, Cuba

As autoridades de Cuba alertaram as companhias aéreas internacionais que deixará de ter combustível disponível para reabastecer os seus aviões. A maioria dos voos internacionais que chegam a Havana já está sendo cancelado, que é fundamental para a indústria do turismo, o seu principal motor econômico. Além disso, o governo precisou também fechar algumas unidades hoteleiras para colocar em prática um plano de emergência para enfrentar a crise energética que afeta a ilha.


Segundo o governo cubano, a escassez de combustível é atribuída ao reforço da pressão energética dos Estados Unidos, uma vez que o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou no final de janeiro uma ordem que prevê a imposição de tarifas a países que forneçam petróleo a ilha, alegando questões de segurança nacional. A decisão aconteceu depois de Washington ter anunciado o fim do fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba.

Cuba produz cerca de um terço das suas necessidades energéticas, dependendo o restante de importações, especificamente a Venezuela que, em 2025, representaram aproximadamente 30% do total e, em menor escala, do México e da Rússia.

O embargo petrolífero dos EUA a Cuba, após a queda de Nicolás Maduro, aliado de Havana e seu principal fornecedor, ampliou ainda mais a situação da crise energética que a ilha enfrenta há três anos. A falta de combustível trouxe nos últimos tempos um impacto direto na economia devido à queda da produção de eletricidade, que sofre com apagões diários que ultrapassam às 20 horas. O turismo, tradicional carro-chefe da economia cubana, registrou em 2025 o pior desempenho desde 2002, com 1,8 milhões de visitantes internacionais, face aos 4,7 milhões registrados em 2018. O iminente colapso das infraestruturas de energia contraiu e agora asfixia a economia do país, com a aceleração da inflação, prejuízos ao setor turístico, aos os transportes públicos, falta de abastecimento de bens, bancos abertos por menos tempo, cancelamentos de eventos culturais entre outros danos.

A administração cubana tenta neste contexto buscar soluções alternativas e foi anunciado o racionamento de combustíveis, incentivo ao home office, aulas semipresenciais e redução de horários em serviços públicos. Além disso, esta em curso o encerramento de alguns hotéis e a transferência de turistas estrangeiros para outras unidades, como parte de um planejamento para reduzir o consumo energético e concentrar a operação turística. O vice-primeiro-ministro e ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Oscar Pérez-Oliva Fraga, afirmou que foi desenhado um plano no turismo para compactar as instalações turísticas e aproveitar a alta temporada que decorre neste momento no país. Apesar de não ter sido detalhado os contornos dessa compactação, as medidas estão atingindo, em especial, as unidades em Varadero e no norte da ilha, incluindo hotéis operados por cadeias internacionais.

O presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel apontouu que o plano de resposta se inspira nas estratégias do “Período Especial” dos anos 1990, prevendo ações de autosuficiência e racionamento extremo em caso de interrupção total do fornecimento energético.

Por sua vez, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, prometeu que enviará ajuda a Cuba e utilizará todos os meios diplomáticos junto a Casa Banca para retomar o envio de petróleo a ilha. "Uma coisa é discordar das políticas do regime cubano. Mas a sua oposição não deve afetar o povo", disse Sheinbaum.

Enquanto, a China reafirmou seu apoio a Cuba, seu aliado estratégico, tendo já designado um pacote emergencial de 80 milhões de dólares, doação de 60 mil toneladas de arroz e suporte técnico e energético. Pequim tem enviado peças e acessórios para equipamentos de geração de energia e, desde 2024, atua na construção de parques fotovoltaicos para reduzir a dependência cubana de combustíveis importados. O Ministério das Relações Exteriores chinês ainda indicou que se opõe a sanções externas a ilha e que apoia firmemente sua soberania nacional e segurança.

As Nações Unidas também reiterou sua preocupação com a crescente escassez de combustível em Cuba e o impacto na população. “Estamos trabalhando com o governo cubano para prestar mais apoio, com alimentos, água e cuidados de saúde”, comunicou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres