Venezuela afirma não irá realizar eleições num futuro próximo até estabilizar o país
A declaração foi realizada pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, declarou em sua primeira entrevista a mídia internacional, o site conservador norte-americano Newsmax, que não há eleições presidenciais previstas num futuro próximo no país.
O líder do parlamento, que é irmão da presidente em exercício, Delcy Rodríguez, garantiu que a prioridade é assegurar a estabilidade do país e a reconciliação da Venezuela. “A realização de eleições será quando o país conseguir avançar na estabilização nacional e se chegar a um acordo com todos os setores da oposição", afirmou.
Enquanto isso, o governo é acusado de repressão por deter o preso político, o ex-deputado Juan Pablo Guanipa, horas apos ter sido libertado. Ele foi um dos presos políticos que o governo da Venezuela libertou no último domingo. A aliada de Guanipa e líder da oposição na Venezuela, Maria Corina Machado acusou o governo de sequestrá-lo. Até o momento, de acordo com o grupo direitos humanos Foro Penal, 383 presos políticos foram libertados desde o anuncio governamental, em 8 de janeiro, que iria iniciar uma nova série de libertações.
Por sua vez, Jorge Rodríguez destacou que já decorre a discussão à Assembleia da lei da anistia, cuja tramitação processual está em andamento, para os presos políticos desde 1999. “Através desta lei de anistia, estamos promovendo que todos os setores da oposição no exterior cumpram a lei e possam retornar ao país", disse.
Rodríguez também enfatizou que Caracas esta aberta aos investimentos estrangeiros no setor petrolífero, principalmente dos Estados Unidos, e admitiu que economicamente a Venezuela teve dificuldades sob o bloqueio imposto por Washington. “O governo venezuelano cometeu alguns erros, no entanto neste momento se abre uma oportunidade de ouro para avançar e promover a saúde, a educação e a cultura através de uma economia de mercado livre. Temos uma grande possibilidade de trabalhar e, como disse Trump, há muito a fazer e o que procuramos é converter este petróleo em hospitais, escolas, coisas para o povo da Venezuela", acrescentou.
Sobre a relação com a Administração Trump, Rodríguez ainda reconheceu que nos últimos 33 dias as coisas avançaram muito rapidamente e foi muito intensa. “Existe a oportunidade de construir uma relação de benefício mútuo. Temos um futuro brilhante pela frente", garantiu.
Segundo o presidente da Assembleia, desde a captura de Nicólas Maduro e a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina, a Venezuela reformou a lei de hidrocarbonetos para permitir o investimento norte-americano, voltou a comercializar o petróleo através da tutela econômica dos Estados Unidos, iniciou um processo de libertação de presos políticos e está em debate uma ampla lei de anistia destinada à reconciliação no país.