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Ex-empresário da imprensa de Hong Kong é condenado a 20 anos de prisão e gera protestos internacionais

Jimmy Lai era um crítico do Partido Comunista Chinês e foi preso em 2020 nos termos da lei de segurança nacional imposta pela China

Por Isabel Alvarez

O magnata da mídia Jimmy Lai

Nesta segunda-feira (09), um tribunal de Hong Kong sentenciou o ex-empresário da mídia, fundador do jornal pró-democracia Apple Daily, Jimmy Lai, 78 anos, que possui cidadania britânica, a uma pena de 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa. É a pena mais pesada já proferida ao abrigo da Lei de Segurança Nacional chinesa.

Lai se declarou inocente de todas as acusações, mas seis jornalistas do Apple Daily e dois ativistas no mesmo processo aceitaram a culpa, o que poderá ajudá-los a obter penas reduzidas.

Não obstante aos apelos, pressões e criticas do Reino Unido, da União Europeia, dos Estados Unidos e de organizações defensoras dos direitos humanos a favor da sua libertação, a condenação de Lai pode vir a criar tensões entre Pequim e governos estrangeiros.

Jimmy Lai era um crítico do Partido Comunista Chinês e foi preso em 2020 nos termos da lei de segurança nacional imposta pela China. Segundo Pequim, a aplicação da lei se deveu a necessidade de estabilizar Hong Kong, e ocorreu depois dos protestos antigovernamentais e pró-democracia que tomaram conta da cidade. Lai já tinha sido condenado por vários outros crimes menores relacionados com alegações de fraude e ações no âmbito dos protestos em Hong Kong em 2019 e se já encontra cumprindo uma pena de prisão de quase seis anos por esses crimes.

Mas, Lai foi considerado também culpado em dezembro de 2025 por três acusações, que abrangem conspiração com pessoas e forças estrangeiras, publicação de artigos sediciosos no Apple Daily, pedindo a forças estrangeiras que impusessem sanções ou bloqueios ou se envolvessem em outras atividades hostis contra Hong Kong ou a China. Ao final deste julgamento, ONGs de direitos humanos afirmaram que foi o marco do término da liberdade de imprensa do território, que anteriormente esteve sob jurisdição britânica.

Após o veredicto, o presidente norte-americano, Donald Trump, apelou ao líder chinês, Xi Jinping, para ponderar sobre a libertação de Lai.

A Secretária de Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, também reagiu hoje e condenou a decisão, pedindo que seja ele libertado imediatamente e possa se reunir com a sua família. “É uma perseguição por motivos políticos, ele foi condenado por exercer o seu direito à liberdade de expressão. Estamos ao lado do povo de Hong Kong", declarou a chefe da diplomacia do Reino Unido.

Cooper acrescentou que esta profundamente preocupada com a saúde de Lai e revelou que o caso já foi abordado pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer com Jinping, na recente visita oficial que fez à Pequim.

Já um porta-voz da diplomacia da União Europeia anunciou que o bloco deplora a severa pena de prisão e pediu a sua libertação imediata, tendo em consideração ainda a idade avançada e o seu estado de saúde.