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Chefe de comunicação britânico se demite após polêmica envolvendo Epstein

Tim Allan, que estava no cargo há apenas cinco meses, foi acusado de ter recomendado a nomeação como embaixador em Washington de Mandelson no final de 2024

Por Isabel Alvarez

O líder do Partido Trabalhista Escocês, Anas Sarwar, discursa durante uma coletiva de imprensa em Glasgow, em 9 de fevereiro de 2026, na qual pediu a renúncia do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. A posição de Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido parecia cada vez mais frágil na segunda-feira, depois que o líder trabalhista na Escócia pediu sua renúncia por nomear Peter Mandelson como embaixador nos EUA, apesar de suas ligações com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

O diretor de comunicação do primeiro-ministro do Reino Unido renunciou ao cargo no domingo (08) devido à crise que tomou conta do governo britânico envolvendo as conexões do ex-embaixador Peter Mandelson com o criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein.

Tim Allan, que estava no cargo há apenas cinco meses, foi acusado de ter recomendado a nomeação como embaixador em Washington de Mandelson no final de 2024, mesmo sabendo da sua ligação com Epstein, acusado de tráfico sexual e pedofilia. “Decidi renunciar para permitir que uma nova equipe seja formada. Desejo ao primeiro-ministro e à sua equipe muito sucesso", disse Allan em nota.

Esta é a segunda grande baixa do alto escalão do governo do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, uma vez que o seu chefe de gabinete, Morgan McSweeney, também se demitiu ontem. Em um comunicado, McSweeney reconheceu que a indicação foi um erro de julgamento e admitiu que a decisão causou danos políticos ao governo. A renúncia ocorre em meio à forte pressão da oposição e de parlamentares do próprio Partido Trabalhista, que cobram esclarecimentos sobre os critérios adotados na escolha do diplomata.

Ambas as renúncias estão relacionadas com a nomeação de Mandelson como embaixador nos Estados Unidos, apesar da sua ligação com Epstein. O ex-ministro britânico é um dos nomes mencionados no controverso caso. Mandelson foi demitido do cargo de embaixador em setembro de 2025, após a publicação de documentos e fotos do Departamento de Justiça do EUA que detalhavam a extensão dos laços que mantinham. Além disso, documentos recentemente divulgados sugerem que Mandelson passou informações confidenciais a Epstein que podem ter influenciado os mercados, entre 2008 e 2010.

Enquanto isso, Starmer enfrenta uma grave crise e apesar da pressão para que renuncie, afirmou que seguirá em frente no governo. "Precisamos provar que a política pode ser uma força para o bem. Acredito que pode. Acredito que é. Seguimos em frente a partir daqui. Seguimos com confiança enquanto continuamos a mudar o país. Deixei absolutamente claro que me arrependo da decisão que tomei de nomear Peter Mandelson. E pedi desculpas às vítimas, o que é a coisa certa a fazer", disse.

Na semana passada, o primeiro-ministro declarou que se arrependia de ter nomeado Mandelson, justificou dizendo ter recebido maus conselhos e que estava arrependido por ter acreditado nas suas mentiras.

A líder da oposição conservadora britânica, Kemi Badenoch, defendeu hoje que o primeiro-ministro deve se demitir e que a sua posição é insustentável. “Ele deve assumir responsabilidade após o afastamento do seu chefe de gabinete pelo envolvimento no escândalo Epstein”, enfatizou.