Cuba diz que se dispõe a dialogar com os EUA em meio à crise energética
‘Cuba está disposta a dialogar, mas com a única exigência de que o governo dos EUA não tente interferir nos assuntos internos de Cuba, nem prejudique nossa soberania’, afirmou o líder cubano
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reafirmou hoje estar disposto a dialogar com os Estados Unidos, desde que as negociações aconteçam sem pressões ou pré-condições, com igualdade e respeito pela soberania e autodeterminação da ilha. ‘Cuba está disposta a dialogar, mas com a única exigência de que o governo dos EUA não tente interferir nos assuntos internos de Cuba, nem prejudique nossa soberania’, afirmou o líder cubano.
O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernandez de Cossio, adiantou que já foi iniciada uma conversação ?com o governo norte-americano, porém ainda não foi estabelecido um diálogo bilateral formal.
Por outro lado, o presidente dos EUA, Donald Trump assegurou que sua administação está em negociações com líderes cubanos. “Acho que estamos bem perto. Estamos conversando com as pessoas mais importantes de Cuba neste momento”, indicou.
A escalada de tensão entre os dois países se agravou apos o presidente norte-americano classificar Cuba como uma ameaça extraordinária para a segurança nacional e para a política externa dos EUA. Trump ainda ameaçou impor tarifas aos países que vendam petróleo a Cuba. Várias empresas de transporte e alguns países já interromperam remessas de petróleo por receio de retaliações.
Diaz-Canel anunciou que deve lançar um plano na próxima semana de racionamento para lidar com a carência de combustível à medida que a Casa Branca toma medidas para bloquear o fornecimento de petróleo à ilha. “Cuba tem o direito de receber entregas de combustível por via marítima. Continuaremos a tomar todas as ações necessárias para garantir que possamos receber novamente as importações”, disse.
Há três anos a falta de combustível na ilha já acarretou um impacto direto na produção de eletricidade e na economia, sobretudo no turismo. No entanto, o recente embargo petrolífero da Venezuela imposto pela administração Trump, após a queda de Nicolás Maduro, aliado de Havana e seu principal fornecedor, ampliou ainda mais a crise energética da ilha. Cuba sofre com apagões diários que ultrapassam às 20 horas. O iminente colapso das infraestruturas de energia vem minando e asfixiando a economia, que contraiu mais de 15% desde 2020, de acordo com dados oficiais, e que tem desencadeado os principais protestos da população nos últimos tempos.
Atualmente, sete das 16 centrais termoelétricas do país, que representam cerca de 40% da sua geração energética, estão fora de serviço devido a avarias ou manutenção, incluindo duas das três maiores.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou a intenção de enviar uma missão de entrega de ajuda urgente a Havana, enquanto tenta negociar com Washington o fornecimento de petróleo por razões humanitárias para a ilha. "Esta semana, estamos planejando uma ajuda humanitária a Cuba. A Marinha mexicana fornecerá alimentos e outros mantimentos, enquanto resolvemos diplomaticamente tudo o que está relacionado com os carregamentos de petróleo por razões humanitárias", avançou Sheinbaum.
Na quarta-feira (04), o porta-voz do secretário-geral das nações Unidas disse que António Guterres está extremamente preocupado com a situação humanitária em Cuba e que deve piorar ou mesmo entrar em colapso se as necessidades petrolíferas do país não forem atendidas.
Além disso, Cuba enfrenta desde 1962 fortíssimas sanções econômicas dos Estados Unidos. O embargo econômico, comercial e financeiro imposto é considerado o bloqueio mais longo da história moderna, com consequências profundas e contínuas sobre a economia da ilha.