UE classifica Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista e impõe sanções a autoridades
A Guarda Revolucionária controla inúmeros interesses econômicos no Irã, o que significa que as sanções poderão levar ao congelamento de bens na Europa
A União Europeia designou hoje a Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista após a violenta repressão as recentes manifestações no país, que provocaram cerca de cinco mil mortes e milhares de detidos. Enquanto ativistas afirmam que pelo menos 6.373 pessoas morreram na repressão, números que são contestados por Teerã.
A UE também impôs sanções contra 15 autoridades do país, entre elas, comandantes da Guarda Revolucionária, devido à violência contra os protestos no Irã, o ministro iraniano do Interior, Eskandar Momeni, o procurador-geral, Mohammad Movahedi Azad, e a juíza Iman Afshari. "Todos eles estiveram envolvidos na repressão violenta de protestos pacíficos e na detenção arbitrária de ativistas políticos e defensores dos direitos humanos", diz o comunicado do Conselho da União Europeia.
A Guarda Revolucionária, por sua vez, controla inúmeros interesses econômicos no Irã, o que significa que as sanções poderão levar ao congelamento de bens na Europa.
"A repressão não pode ficar sem resposta. Os ministros das Relações Exteriores da UE acabaram de dar o passo decisivo de qualificar a Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista. Qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo está trabalhando para a própria queda. Quem age como terrorista deve ser tratado como terrorista", anunciou Kaja Kallas, chefe da diplomacia do bloco europeu.
A União Europeia, além disso, sancionou ainda seis entidades iranianas, incluindo organismos ligados à vigilância de conteúdos online.
O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, defendeu inclusive mais sanções e até a inclusão do Irã na lista de países que promovem o terrorismo. “Não pode haver impunidade para os crimes cometidos”, enfatizou.
O governo iraniano é acusado também de uma campanha de vingança com alegadas detenções de médicos por tratarem manifestantes que foram feridos nos protestos. O Departamento de Estado dos EUA pediu a libertação de todos os profissionais de saúde presos, sendo que um cirurgião, Alireza Golchini, corre risco de ser executado.
A decisão do bloco europeu acontece em meio a uma forte escalada de tensões internacionais, com o governo do Teerã sob pressão diplomática e militar crescente. A crise se agravou depois das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaça atacar o país. O Pentágono já enviou para o Oriente Médio o superporta-aviões USS Abraham Lincoln e vários navios de guerra equipados com mísseis guiados.
O Irã reagiu e ameaçou ainda lançar um ataque preventivo ou atingir alvos em toda região, incluindo bases militares norte-americanas e Israel. As autoridades iranianas comunicaram exercícios militares no Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20 % do petróleo mundial, levantando receios no comércio global. O Exército iraniano avançou que recebeu um lote de mil drones para responder às ameaças iminentes. “O exército mantém e melhora as suas vantagens estratégicas para um combate rápido e uma resposta contundente contra qualquer agressor”, declarou o comandante-chefe do exército, Amir Hatami,