Ciclone Harry causa deslizamento de terra em ilha da Sicília que pode colapsar
O governo da Itália declarou estado de emergência para as regiões do sul do país afetadas pelo ciclone
A passagem do ciclone Harry, que atingiu o sul de Itália com chuvas intensas e ventos fortes, causou um deslizamento de terra de grandes proporções na ilha de Niscemi, no sul da Sicília. O fenômeno climático tem causado sinais de movimentos no solo e deixou diversas casas suspensas à beira de um precipício, que já evoluiu para uma fenda com cerca de quatro quilômetros de extensão na encosta.
Como o solo continua a ceder há incerteza sobre o futuro da ilha, uma vez que a cratera continua a se expandir, alimentando o receio de que possa engolir o centro histórico de Niscemi. “Este é um deslizamento de terra dramático e que ninguém subestime o evento. Felizmente, não houve feridos”, disse Massimiliano Conti, prefeito da cidade.
Conti comunicou que o deslizamento avançou mais dez metros na manhã desta terça-feira (27). “Pelas imagens aéreas, foi chocante ver a nossa Niscemi a desmoronar-se. A situação é crítica, especialmente porque os estalos continuam, e a chuva ainda atrapalha operações de socorro e levantamentos técnicos. Estamos a monitorizar a situação sem parar, porque ela pode mudar a qualquer momento. Outra preocupação central é o risco de isolamento da cidade”, contou.
O chefe do Departamento Nacional de Proteção Civil, Fabio Ciciliano, avaliou que as casas atingidas não serão nunca mais habitáveis e que é preciso realocar permanentemente essas famílias. Aproximadamente até o momento 1.500 pessoas foram retiradas do local. “Todas as casas num raio de pelo menos 70 metros irão desabar a qualquer momento”, acrescentou o diretor-geral da Proteção Civil da Sicília, Salvatore Cocina.
O governador da Sicília, Renato Schifani, também afirmou que muitas pessoas nunca mais irão voltar para as suas casas. Somente na Sicília são estimados 740 milhões de euros em prejuízos, apesar de Schifani considerar que o valor final poderá ser o dobro.
O governo da Itália declarou estado de emergência para as regiões do sul do país afetadas pelo ciclone Harry, acrescentando que os prejuízos já ultrapassam 1,5 bilhões de euros. A tempestade trouxe chuvas contínuas, inundações, desmoronamento de infraestruturas e ondas de até nove metros, provocando inúmeros danos na Sicília, Calábria e Sardenha, com estradas e defesas costeiras destruídas e balneários arrasados. Segundo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, foram destinados 100 milhões de euros para responder às primeiras intervenções urgentes.