Ucrânia diz que acordo de segurança com os EUA esta finalizado e pronto para assinar
O documento detalha compromissos que vão desde o suporte militar imediato até a defesa ativa contra futuras ofensivas
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky informou que o documento dos Estados Unidos sobre garantias de segurança para a Ucrânia está totalmente pronto e que agora aguarda apenas a definição para a sua assinatura. O documento detalha compromissos que vão desde o suporte militar imediato até a defesa ativa contra futuras ofensivas.
"Para nós, as garantias de segurança são, antes de mais, garantias de segurança dos Estados Unidos. O documento está 100% pronto e aguardamos a confirmação dos nossos parceiros sobre a data e o local da assinatura. O documento será depois enviado para ratificação ao Congresso dos EUA e ao parlamento ucraniano. Sem estas salvaguardas, não haverá estabilidade duradoura para Kiev", disse Zelensky.
Em contrapartida, o ex-embaixador da Ucrânia nos EUA e na França, Oleh Shamshur, considera que a falta de informações sobre o formato final das garantias de segurança da Casa Branca para a Ucrânia não é acidental, uma vez que os acordos propostos carecem de força real e são incapazes de dissuadir a Rússia.
"Não estou absolutamente convencido das questões que agora estão supostamente 100% acordadas. Elas não convencem a esmagadora maioria dos ucranianos, porque todas estas garantias são meramente no papel. Trata-se de um tigre de papel que não assustará Putin. E não é por acaso que não sabemos qual será a forma final com que essas garantias serão assinadas. Acredito que não sabemos nada precisamente porque essas são as garantias que já conhecemos e elas não são garantias reais", indicou o diplomata.
Sem acordo para fim da guerra
Na sexta-feira e no sábado, as delegações russas, ucranianas e norte-americanas realizaram a sua primeira reunião trilateral, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para discutir a proposta de Washington para o fim da guerra. No entanto, não foi alcançado qualquer acordo.
Mas, Moscou e Kiev também disseram estar abertos a um diálogo mais aprofundado sobre as negociações e que deve haver um novo encontro para o próximo domingo em Abu Dhabi, avançou um representante dos EUA. "O plano de 20 pontos dos EUA e as questões problemáticas estão sendo discutidas. Havia muitas questões problemáticas, mas agora há menos. Ainda há muito trabalho a fazer. Seria bom se essas negociações pudessem ser retomadas antes de domingo", apontou Zelensky.
Por outro lado, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou hoje (22) que as conversações foram realizadas num espírito construtivo. “Mas seria errado esperar resultados significativos destes contatos iniciais", avaliou.
As negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia estão paralisadas, principalmente na questão territorial. O governo da Rússia insiste que Kiev deve retirar as suas tropas do Donbass, uma região no leste da Ucrânia amplamente controlada pelas forças russas, uma condição sistematicamente recusada pela Ucrânia.
"Não é segredo que esta é a nossa posição consistente, a posição do nosso presidente, de que a questão territorial, que faz parte da fórmula de Anchorage, é de importância fundamental para o lado russo", reiterou Peskov.
A "fórmula de Anchorage" se refere ao que o Kremlin afirma ter acordado com os Estados Unidos, na cúpula entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin, no Alasca, em agosto de 2025. Segundo Moscou, o acordo prevê que a Ucrânia entregue à Rússia o controle de todo o Donbass e congele as linhas da frente em outras partes do leste e sul da Ucrânia como exigência para qualquer futuro acordo de paz.
Apelos contra ataques à Ucrânia
Enquanto ocorrem os esforços diplomáticos para se chegar a um acordo entre as partes, milhares de ucranianos enfrentam cortes de energia, água e falta de aquecimento com temperaturas bem abaixo de zero grau, principalmente na capital. As infraestruturas energéticas têm sofrido sérios danos pelos intensos e constantes ataques russos e, segundo a Força Aérea ucraniana, Moscou lançou mais 138 drones contra a Ucrânia na noite de domingo e na madrugada de hoje.
O papa Leão XIV também apelou nesta segunda-feira (22) à solidariedade internacional perante o sofrimento de quem enfrenta o frio sem condições básicas de sobrevivência. “A escalada de violência e o impacto devastador dos ataques deixam a população civil desprotegida e à mercê do rigoroso inverno”, lamentou o pontífice.
O representante do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Matthias Schmale, também condenou hoje veementemente mais uma onda de bombardeios russos contra infraestruturas de energia na Ucrânia.
"Este ciclo sistemático de ataques à infraestrutura energética viola o direito internacional humanitário e deve terminar. Os civis devem estar seguros e quentes nas suas casas e não viver com medo das perdas que a próxima rodada de destruição possa trazer que matam e ferem civis, além de deixam milhares expostos ao severo inverno. Desde o início de 2026, os residentes da Ucrânia não sentiram alívio face aos ataques das Forças Armadas Russas. Equipes heróicas de reparação, agentes de proteção civil e profissionais humanitários continuam a restaurar os danos e a apoiar as pessoas em temperaturas congelantes", declarou Schmale.