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Papa avalia convite recebido de Trump para integrar Conselho de Paz

Segundo a Casa Branca, o Conselho de Paz, promovido por Trump, é um novo organismo internacional, que terá um papel consultivo

Por Isabel Alvarez

Papa Leão 14

De acordo com o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Paroli, o presidente norte-americano, Donald Trump, convidou o Vaticano e o papa Leão 14 para integrar o Conselho de Paz.

“Recebemos esse convite. O papa também recebeu e estamos avaliando e nos aprofundando sobre o que fazer. A Santa Sé se limita a avaliar uma proposta que poderá redesenhar o atual equilíbrio da diplomacia internacional. Estamos analisando a situação, que é uma questão que exige um pouco de tempo para responder.”, declarou o cardeal.

Mas, Parolin acrescentou que a Santa Sé não participa do ponto de vista econômico. “Nem sequer somos capazes de fazê-lo, mas evidentemente estamos numa situação diferente em relação aos outros países, por isso será uma consideração diferente, mas creio que o pedido não será o de participar economicamente”, apontou.

Sobre as relações entre os Estados Unidos e a Europa, Parolin afirmou que é fundamental discutir os pontos controversos, sem entrar em polêmicas, porém destacou o respeito às regras da comunidade internacional. “As tensões não são saudáveis e criam um clima que agrava a situação internacional, que já é grave por si só. Acredito que o importante seria eliminar as tensões, discutir os pontos controversos, mas sem entrar em polêmicas e sem criar tensões”, ponderou o secretário de Estado do Vaticano.

O Conselho de Paz, promovido por Trump, é um novo organismo internacional, que terá um papel consultivo, segundo a Casa Branca, que objetiva assessorar o comitê responsável pela administração provisória e a reconstrução da Faixa de Gaza. Por sua vez, o comitê já iniciou seus trabalhos, no Cairo, sob o comando do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath e de outros 14 membros.

Washington indicou que o Conselho ajudará a apoiar uma governança eficaz e uma prestação de serviços de alto nível na promoção da paz, estabilidade e prosperidade da população de Gaza. Para Trump, o Conselho promoverá a estabilidade global. Entretanto o órgão é criticado por diplomatas e analistas, que ainda garantem que o organismo diluirá o poder das Nações Unidas. O vazamento do estatuto divulgado por agências de notícias aponta que sua política não se limita a Gaza porque visa intervir na resolução de conflitos armados no mundo.

Aproximadamente 60 países foram convidados para serem membros fundadores, incluindo o Brasil. A proposta de integrar o Conselho tem provocado forte controvérsia internacional, sendo que Trump irá liderar pessoalmente o novo organismo. Além de que, o acesso a um lugar permanente no Conselho implica, de acordo com documentos do estatuto do Conselho, em uma contribuição de um bilhão de dólares para permanecer como integrante do órgão.

O líder dos EUA será o primeiro presidente do Conselho de Paz, com poderes extensos, incluindo a competência exclusiva de convidar ou afastar chefes de Estado e de governo, salvo veto de uma maioria de dois terços dos membros. O conselho executivo, dirigido por Trump, deverá ter a participação de sete pessoas, entre as quais, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, o emissário especial Steve Witkoff, o genro do presidente Jared Kushner e o ex- primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Até o momento, alguns países já aceitaram o convite, como o Egito, Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Israel, Argentina, Azerbaijão, Hungria e Armênia. Outros, como o Brasil e Portugal, ainda não anunciaram a sua decisão.

No entanto, cerca de doze nações já rejeitaram o convite do Conselho. A recusa da França levou Trump a ameaçar impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses.

Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou também ter recebido o convite, porém afirmou não se imagina participando ao lado da Rússia, uma vez que Vladimir Putin consta da lista de convidados.