° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

EUA reduzem tarifas a Taiwan após acordo comercial de 500 bilhões de dólares

O governo de Taiwan declarou que o acordo irá expandir a competitividade global da indústria tecnológica da ilha

Por Isabel Alvarez

Taipé, Taiwan

O novo acordo comercial estabelecido entre os Estados Unidos e Taiwan prevê um investimento de 500 bilhões de dólares destinado ao setor tecnológico, sendo 250 bilhões em investimento direto e outros 250 bilhões em garantias de crédito por parte do governo de Taipé.

A concordância decorre após o presidente norte-americano Donald Trump ter no ano passado ameaçado impor tarifas de 32% sobre as exportações taiwanesas e, posteriormente chegar a 20%. No entanto, agora foram reduzidas para 15% em troca dos 250 bilhões de dólares por parte de Taiwan em novos investimentos na indústria tecnológica dos EUA, principalmente no setor dos semicondutores, inteligência artificial e energia.

Além do corte tarifário, o acordo também prevê isenções específicas para determinadas importações taiwanesas, como medicamentos genéricos e componentes de aviação. Já os produtores de semicondutores que invistam nos EUA terão mais benefícios de tarifas, incluindo isenções condicionais.

O Departamento de Comércio norte-americano comunicou que o entendimento institui uma parceria econômica para a criação de parques industriais nos EUA, com o objetivo de reforçar a produção nacional. “Um acordo comercial histórico que impulsionará um enorme retorno da produção do setor de semicondutores dos Estados Unidos para os EUA”, destacou.

Apesar da nota oficial do Departamento não mencionar o nome das empresas, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) é provavelmente a principal beneficiária e motor do investimento, sendo a maior fabricante mundial de semicondutores, que são essenciais em produtos da Apple, Nvidia, entre outras. A TSMC é atualmente a empresa mais valiosa da Ásia e já avisou que investirá aproximadamente 165 bilhões de dólares nos EUA, além de acelerar a construção de novas fábricas e instalações nos EUA.

O governo de Taiwan confirmou os principais termos do entendimento e declarou que o acordo irá expandir a competitividade global da indústria tecnológica da ilha e aprofundar a cooperação estratégica entre as duas economias.

Em contrapartida, a China criticou a parceria comercial, uma vez que reivindica Taiwan como parte do seu território. Pequim classificou o acordo como um ‘economic plunder’ (em uma tradução livre: desvio ou exploração indevida de recursos) de Washington contra a ilha.