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Casa Branca diz que Irã suspendeu 800 execuções de manifestantes

Trump tem ameaçado atacar o Irã para defender e apoiar os manifestantes e chegou a afirmar que a ajuda estava a caminho

Por Isabel Alvarez

Casa Branca

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou hoje que o regime iraniano cancelou 800 execuções de manifestantes que estavam previstas na quarta-feira (14).

Em entrevista ao canal Foz News, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou ainda que não há planos no país para executar pessoas em retaliação pelos protestos antigovernamentais e que o enforcamento está fora de questão. “A minha mensagem é: entre a guerra e a diplomacia, a diplomacia é o melhor caminho, embora não tenhamos tido qualquer experiência positiva com os Estados Unidos. Mas, ainda assim, a diplomacia é muito melhor do que a guerra”, respondeu o chanceler iraniano ao se perguntado sobre o que diria a Trump.

Araghchi diz que a calma reina agora no seu país e as autoridades têm controle total da situação.

O presidente dos EUA, Donald Trump, já havia dito ontem que os assassinatos no Irã estavam diminuindo e baixou o tom das suas declarações sobre uma possível intervenção militar contra o país. “Recebi garantias de fontes muito importantes do outro lado de que Teerã cessou o uso de força letal contra os manifestantes e que as execuções não iriam ocorrer. Vamos verificar”, citou.

Ao ser questionado sobre se uma ação militar dos EUA estava descartada, Trump respondeu: “Vamos observar e ver qual será o processo”.

Trump tem ameaçado atacar o Irã para defender e apoiar os manifestantes e chegou a afirmar que a ajuda estava a caminho. Por sua vez, Teerã decidiu fechar o seu espaço aéreo na última madrugada durante quase cinco horas.

De acordo com o jornal New York Times, Trump também conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que pediu para não intervir militarmente no Irã. Leavitt também confirmou o telefone entre os dois líderes, mas salientou que todas as opções permanecem em aberto para os Estados Unidos. “O presidente Trump alertou que Teerã terá sérias consequências caso a repressão dos protestos se mantenha”, disse a porta-voz.

No entanto, o NYT publicou que além de Netanyahu, a Arábia Saudita, Catar, Egito e Omã também pediram ao governo de Trump para não atacar o território iraniano advertindo para o risco de um conflito regional mais amplo no Oriente Médio. Assim como apelaram ao lado iraniano para não atacar os países da região caso sofresse uma ofensiva dos EUA.

“Acreditamos no diálogo e acreditamos na resolução de quaisquer divergências na mesa de negociações”, indicou o ministro saudita, Adel al-Jubeir.

O Irã enfrenta uma onda de protestos desde 28 de dezembro, iniciada na capital devido à crise econômica, a alta inflação e o colapso do rial, a moeda iraniana. Porém, os protestos se alastraram pelo país e passaram a ser simultaneamente contra o regime do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

Segundo a ONG Iran Human Rights, o regime do aiatolá já matou nos conflitos pelo menos 3.428 pessoas e estima que mais de 18 mil foram detidas.

 

Reunião de urgência do Conselho da ONU

Enquanto isso, hoje o Conselho de Segurança da ONU se reuniu de emergência a pedido dos Estados Unidos para discutir a situação do Irã e sua potencial implicação para a paz e a segurança internacional. As denúncias contra o país abrangem relatos sobre o uso excessivo da força pelo governo, repressão violenta e generalizada, bloqueio das comunicações e prisões em massa.

O governo do Irã declarou que agiu para conter "terroristas organizados" que se infiltraram nos protestos e dispararam contra a polícia e outros manifestantes com o objetivo de “provocar uma intervenção militar estrangeira”.

A ONU pediu investigações independentes sobre todas as mortes e se manifestou contra a possível aplicação da pena de morte para os manifestantes. As Nações Unidas ainda alertou no Conselho de Segurança da ONU contra a possibilidade de ataques militares ao Irã e pediu esforços para evitar uma escalada do conflito. Além disso, defendeu que todas as preocupações relacionadas ao Irã, incluindo o programa nuclear e os protestos antigovernamentais, sejam tratadas por meio da diplomacia e do diálogo. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres pediu a máxima moderação e que todas as partes se abstenham de ações que possam provocar mais mortes ou ampliar o conflito regional.