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Israel rompe com sete agências das Nações Unidas

As relações entre Israel e a ONU se deterioraram a partir da guerra na Faixa de Gaza

Por Isabel Alvarez

Sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York

O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou hoje o rompimento imediato com sete instituições da Organização das Nações Unidas.

Após os Estados Unidos terem saído recentemente de mais de 60 instituições, o governo israelense também adotou a medida de se desvincular de várias agências da ONU. A chancelaria cita em seu comunicado que a decisão foi tomada depois do ministro responsável pela pasta, Gideon Sa'ar, examinar e discutir a saída dos EUA de dezenas de organizações internacionais.

Entre as organizações que o governo de Tel Aviv menciona que foram cortadas estão a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Gabinete do representante especial do secretário-geral da ONU para as Crianças e os Conflitos Armados. Assim como a ONU Mulheres, que argumentou ter ignorado os casos de violência sexual ocorridos durante os ataques do Hamas contra Israel, em outubro de 2023, e a Aliança das Civilizações, que qualifica como uma plataforma de ataques contra Israel.

Além destas a lista ainda incluiu à Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental, que a diplomacia israelense acusa de publicar relatórios anti-Israel severos todos os anos, a ONU Energia, que considera um reflexo da burocracia excessiva e ineficiência das Nações Unidas e o Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento, que, de acordo com Tel Aviv, mina a capacidade dos países soberanos de fazerem cumprir as suas próprias leis de imigração.

No entanto, o ministro Gideon Sa'ar também ressaltou que o país poderá em breve se retirar de outras organizações, mas a deliberação ainda se encontra pendente de uma análise profunda por parte das autoridades israelenses.

O Parlamento de Israel já havia anteriormente determinado, em 30 de dezembro de 2024, declarar ilegal no país a agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês), que classificou como sendo um braço do Hamas. A decisão acarretou na perda da UNRWA de imunidade e a expropriação das suas instalações em Jerusalém Oriental, com a apreensão dos seus bens.

As relações entre Israel e a ONU se deterioraram a partir da guerra na Faixa de Gaza, com as autoridades das agências das Nações Unidas terem declarado situação de fome da população, genocídio em curso no enclave palestino pelas forças israelenses, ataques a civis, sobretudo crianças, mulheres e idosos, bloqueio de itens essenciais, como medicamentos e alimentos, bombardeios e invasões a unidades de saúde e instalações da ONU na região, mortes de funcionários das Nações Unidas entre outras denúncias. As autoridades locais controladas pela ONU afirmam que a ofensiva provocou cerca de 70 mil mortos e milhares de feridos, além de um desastre humanitário, a destruição quase que completa do território e a deslocação forçada frequente de praticamente a maioria da população. Desde então, Israel foi incluído em 2024 na lista de países que violam gravemente os direitos das crianças nos conflitos armados.