Governo do Irã isola mais o país ao bloquear rede Starlink
A obstrução isola mais efetivamente a população civil iraniana do resto do mundo
O regime de Teerã por meio de interferências militares também bloqueou o Starlink, do empresário Elon Musk, serviço de internet via satélite, cerceando ainda mais o controle sobre o acesso à web durante os protestos que tomaram conta do país.
A obstrução isola mais efetivamente a população civil iraniana do resto do mundo e a oposição interna, numa escalada dos esforços do governo para reprimir as manifestações e impedir que os protestos sejam transmitidos dentro e fora do país. Enquanto a ampliação do bloqueio permite ao governo romper quase que por completo o acesso em áreas específicas do país, onde suspeitam que esteja sendo organizados protestos ou ações da oposição.
Agora a conectividade esta totalmente fragmentada, onde em poucas zonas o Starlink ainda funciona, ao lado de áreas, incluindo locais de importância simbólica, que o serviço foi praticamente eliminado.
“A neutralização da rede Starlink é algo sem precedentes. Em mais de 20 anos de investigação, nunca vi nada assim”, reagiu Amir Rashidi, do Grupo Miaan, que monitora a liberdade na internet no território iraniano.
Os terminais Starlink dependem dos sinais GPS para se localizarem e se ligarem aos satélites e o regime têm interferido ativamente já nestes sinais em todo o território desde a guerra com Israel, em junho de 2025.
Entretanto, o bloqueio também traz elevados custos econômicos, o que atinge igualmente o regime, colocando em risco até a sua sustentabilidade.
Já o rastreio de dados confirma as afirmações do Grupo Miaan, uma vez que a análise dos pacotes de rede mostrou uma queda acentuada no tráfego da Starlink e relatos de campo sobre interrupções generalizadas no serviço de satélite. No domingo ocorreu uma queda de 30% na conectividade, e em poucas horas, cresceu para mais de 80%.
"Esta é a primeira vez que vemos isto com uma intensidade tão grande na Starlink. É algo sem precedentes no mundo do bloqueio de sinal", avaliou Kave Salamantian, professor da Universidade de Savoie-Mont Blanc, na França, e especialista em geopolítica do ciberespaço e coautor de um estudo sobre a internet iraniana.
O sucesso da rede Starlink no Irã é explicado porque esta tem sido a alternativa encontrada por muitos civis para contornar o controle da rede de internet por parte do regime desde o final da década de 2000.
A rede Starlink fornece internet através de satélites em órbita baixa do planeta e é, há muito, considerada um dispositivo digital para ativistas e civis em nações autoritárias ou em zonas de conflito e guerra.
De acordo com o site IranWire, a interrupção imposta está atingindo a maioria dos terminais Starlink, que terão sido contrabandeados para o Irã, numa quantidade que, segundo as estimativas, ultrapassa em muito o inicialmente calculado. Mas, Teerã nunca autorizou o serviço, o que torna ilegal a posse e o uso dos terminais Starlink, conforme a lei iraniana.
Os protestos no Irã já causaram mais de 540 mortes e milhares de detidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, também ameaçou atacar o país.
No entanto, o vice-presidente dos Estados Unidos é o líder de um grupo próximo de Trump que quer impedir uma ação militar imediata no Irã. Segundo o Wall Street Journal, JD Vance prefere tentar a via da diplomacia antes de Washington lançar uma ofensiva conta o território.
As fontes do jornal citaram que está em cima da mesa uma oferta de Teerã para iniciar negociações sobre o seu programa nuclear, apesar do Irã também afirmar que esta pronto para a guerra.
Enquanto isso, Trump está mais inclinado para uma intervenção militar.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que Donald Trump já mostrou que não tem medo de usar opções militares. “Ninguém sabe isso melhor que o Irã”, apontou numa clara menção aos ataques conduzidos contra o projeto nuclear do país.