México pede aos EUA respeito irrestrito a sua soberania
Segundo publicou o jornal mexicano Reforma, Claudia Sheinbaum ainda deverá conversar hoje mesmo por telefone com Trump.
O Ministério das Relações Exteriores do México disse que o chefe da diplomacia do país, Juan Ramón de la Fuente, conversou por telefone no domingo com o Secretário de Estado norte-americano sobre o programa bilateral de cooperação fronteiriça.
“A conversa decorreu sob os princípios do respeito irrestrito pela soberania e integridade territorial, responsabilidade compartilhada, confiança mútua e colaboração sem subordinação", afirmou a chancelaria, acrescentando que a ligação foi realizada a pedido da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, após já ter requerido que de la Fuente se reunisse com Rubio ou até com Donald Trump.
Segundo publicou o jornal mexicano Reforma, Sheinbaum ainda deverá conversar hoje mesmo por telefone com Trump.
Por sua vez, o Departamento de Estado norte-americano confirmou que Rubio discutiu com de la Fuente sobre a necessidade de tomar medidas concreta para desmantelar as violentas redes narcoterroristas do México, assim como travar o tráfico de fentanil e de armas para os EUA".
Na quinta-feira passada, Trump sugeriu que Washington agora iria começar a fazer operações com ofensivas por terra contra os cartéis de droga, mas não especificou a data e o planejamento dessa operação militar.
"Vamos iniciar ataques terrestres contra os cartéis. Os cartéis controlam o México. É muito, muito triste ver e observar o que aconteceu neste país", disse o líder norte-americano, em entrevista ao canal à Fox News.
Donald Trump também instou ontem o governo do México a recuperar o controle do seu território, depois de meses pressionando o país vizinho nas questões relacionadas com a luta contra o narcotráfico e a balança comercial. O presidente dos EUA também exortou Sheinbaum que permitia o envio de forças norte-americanas para combater os cartéis de droga que operam no México, uma proposta já recusada no passado.
"O continente americano pertence aos povos de cada um dos países que o compõem", reagiu recentemente Sheinbaum após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e esposa, Cilia Flores.
Já Trump acusa os grupos criminosos mexicanos de matarem 250 mil ou 300 mil pessoas nos Estados Unidos todos os anos.
Enquanto isso, em uma declaração conjunta, 75 congressistas democratas dos EUA alertaram Rubio para o desastre que bombardear o México acarretaria.
As duas organizações criminosas mais poderosas do México, o Cartel de Sinaloa e o Cartel de Jalisco Nova Geração, controlam vastas áreas no país e ambos enfrentam uma disputa violenta que já matou mais de 30 mil pessoas somente no ano passado. No inicio de 2025, Trump classificou seis cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras, uma medida que o México condenou por ameaçar a sua soberania e justificar potencialmente uma intervenção militar.
No entanto, qualquer operação militar no território mexicano sem o consentimento do governo do México violaria o direito internacional e representaria um ataque sem precedentes a um aliado de Washington e um importante parceiro comercial.