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Chefe de gabinete de Zelensky se reúne com Witkoff para discutir pressão sobre a Rússia

Reunião ocorreu nesta sexta-feira (29)

Por Isabel Alvarez

Na reunião foi discutido o último ataque massivo dos russos contra Kiev

O chefe de gabinete do presidente ucraniano, Andriy Yermak, se encontrou hoje em Nova Iorque com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, para discutir o último ataque massivo dos russos contra Kiev e a necessidade de pressionar Moscou para se chegar a um acordo de cessar-fogo. "Acreditamos que é necessária pressão global para garantir que a Rússia esteja genuinamente pronta para avançar em direção à paz e, em particular, para realizar reuniões de líderes extremamente importantes para esse fim", disse Yermak.

O chefe de Estado Maior da Ucrânia também conversou com os seus homólogos dos países membros da chamada "Coligação dos Dispostos", grupo liderado pela França e o Reino Unido que apoia Kiev, sobre medidas que poderiam ajudar a garantir uma paz justa e duradoura na guerra com a Rússia. "Soluções práticas desenvolvidas em conjunto, apoiadas por mecanismos reais de apoio político e diplomático de parceiros confiáveis da Ucrânia, são capazes de garantir uma paz justa e duradoura para o país e toda a Europa", afirmou Oleksandr Syrskyi.

Enquanto isso, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou nesta sexta-feira (29) que as discussões dos parceiros de Kiev sobre garantias de segurança para a Ucrânia devem ser urgentemente elevadas ao nível dos líderes e que os aliados ratifiquem tais garantias através dos seus respectivos parlamentos. Zelensky ainda informou que a Rússia concentra cerca de 100 mil soldados perto de Pokrovsk, uma cidade-chave e importante centro logístico no leste da Ucrânia, e apelou que o Ocidente acelere o envio de armas. “A zona de Pokrovsk, em Donetsk, é a mais grave hoje. Os militares russos estão preparando ações ofensivas e é essencial que as forças ucranianas estejam cientes dos seus planos e no controle da situação”, apontou.

A França e a Alemanha já declararam numa nota em conjunto que irão fornecer mais defesas aéreas à Ucrânia, após os ataques russos a sua capital. "Apesar dos intensos esforços diplomáticos, a Rússia não demonstra intenção de interromper a sua guerra de agressão contra a Ucrânia", sublinharam Paris e Berlim, no comunicado emitido após o encontro entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz.

Além disso, os ministros da Defesa da União Europeia, reunidos em Copenhagen, manifestaram amplo apoio à expansão da missão de treino militar do bloco para operar dentro da Ucrânia no caso de um cessar-fogo, no entanto estão definitivamente convencidos de que a Rússia não quer a paz. A alta-representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas saudou a iniciativa, mas endossou que o Kremlin não busca a paz com os bombardeios dos últimos dias, que matou mais de duas dezenas de pessoas, feriu mais de 60 civis e danificou as instalações da UE na capital ucraniana. “É preciso aumentar a pressão”, reforçou a chefe da diplomacia.

Kallas ainda convocou o enviado do Kremlin para a União Europeia, exigindo explicações sobre o ataque russo em Kiev.

Em contrapartida, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, disse que as propostas de garantias de segurança para a Ucrânia devem levar em consideração as preocupações da Rússia e que as atuais propostas ocidentais visam conter seu país e transformar a Ucrânia num provocador na sua fronteira, o que aumentaria o risco de um conflito militar com Moscou.

E o ministro da Defesa da Rússia, Andrei Belousov, adiantou que o exército russo acelerou o ritmo de avanço no território ucraniano e está assumindo o controle de 600 a 700 km² por mês, em comparação com os 300 a 400 km² do início do ano.