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Beto Lago: 'Riqueza de fachada no futebol brasileiro'

Mas, como tantas vezes na nossa história, o problema nunca foi arrecadar, mas como saber gastar.

Por Beto Lago

Fair Play Financeiro

Riqueza frágil
Presidente da agência que fiscaliza o Fair Play Financeiro no futebol brasileiro, Caio Resende apresentou um diagnóstico que não é apenas preocupante. Ele é, praticamente, um atestado de irresponsabilidade coletiva travestida de crescimento. O futebol brasileiro vive hoje uma ilusão perigosa: a sensação de riqueza. O dinheiro entrou, sim. Direitos de TV inflacionados, novas ligas, patrocínios mais robustos, SAFs movimentando cifras inalcançáveis. Mas, como tantas vezes na nossa história, o problema nunca foi arrecadar, mas como saber gastar. E os números escancaram isso sem margem para interpretação criativa. Crescer 35% em receita e conseguir ser ainda mais pobre depois disso é um feito, já que o gasto supera os 40%. Um feito negativo, mas ainda assim um feito. Porque exige disciplina ao contrário: a disciplina de gastar mal, de planejar pior e de repetir erros com uma convicção quase teimosa. O salto de 140% nos investimentos em contratações não representa ambição esportiva. Representa dirigentes operando no curto prazo, comprando tempo com elencos inflacionados e contas que serão pagas, ou empurradas, por gestões futuras. É o velho ciclo: contrata-se para sobreviver hoje, compromete-se o amanhã e celebra-se o improviso como se fosse estratégia. O grave não é nem o aumento da dívida, mas sua qualidade. Dívida por investimento estrutural se justifica – modernizar estádio, base, governança. Mas a dívida que mais cresce é a da contratação. É a dívida do imediatismo. Do jogador parcelado, do salário atrasado, do bônus empurrado, da aposta desesperada para resolver dentro de campo aquilo que a gestão não resolve fora dele.

Um colapso mais perto
E o retrato é cruel: clubes faturam mais, porém dependem cada vez mais de antecipações, renegociações e criatividade contábil para sobreviver. O futebol brasileiro virou refém da própria receita. Quanto mais entra dinheiro, maior parece ser a autorização implícita para gastar ainda mais, como se o crescimento fosse infinito e o colapso, improvável. Não é. Os números mostram que ele já começou, só ainda não foi assumido.

Homenagem mais do que justa
Na reunião do Conselho do Sport, na terça, um gesto mudou um ritual histórico. Por sugestão do conselheiro Yuri Melo, o tradicional grito de “cazá cazá”, que encerra os encontros, deu lugar a um minuto de silêncio. A homenagem foi dedicada a Aloysio Queiroz Monteiro Filho, falecido recentemente. Um reconhecimento respeitoso a quem fez parte da história do clube e que, por uma noite, silenciou até o grito mais emblemático do clube.

Em alta no Nordestão
Na Ilha, o Sport manteve os 100% de aproveitamento na Copa do Nordeste. Com time praticamente reserva, fez o básico e goleou o Maranhão por 5x0. Jogo que serviu para observações e rodagem do elenco. Já o Retrô somou um ponto fora de casa no 1x1 com o Ferroviário e, agora, seca o ABC para encurtar o caminho rumo à classificação. Campanha consistente da Fênix.