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Beto Lago: "O improvisado calendário do futebol brasileiro"

A sequência de jogos dos times brasileiros já está intensa, devido a futura parada para a Copa do Mundo

Por Beto Lago

Taça da Série A Brasileirão

Improviso nacional
O calendário brasileiro nunca foi exatamente um exemplo de lógica. Em 2026, porém, ele parece ter sido montado na base do improviso permanente, usando a Copa do Mundo como álibi. A pausa no meio do ano é justificável, sobretudo para quem disputa a Série A. O problema não é parar. É o que fizeram antes disso. Março mal começou e já há clubes em sequência exaustiva: Série A, as finais de estaduais e, no horizonte, Copa do Brasil e torneios continentais. Nos clubes da Série B, com estreia já na segunda quinzena do mês, o cenário é semelhante: estadual, Copa do Brasil e copas regionais. Tudo em ritmo de decisão. Viagens longas, gramados distintos, pressão máxima. O pico físico chega cedo demais. E sustentá-lo por oito ou nove meses é biologicamente improvável. O risco é claro: queda entre agosto e outubro, justamente quando os campeonatos entram na zona de definição. Estaduais, que poderiam ser laboratório, viram campo minado. A CBF comprimiu datas para “caber” antes do Mundial. Quem tem elenco roda. Quem não tem, reza. A dúvida permanece: o calendário foi ajustado à Copa ou apenas espremido para sobreviver a ela? Adaptar seria redistribuir esforço ao longo do ano. O que se viu foi concentração de tensão no início e a esperança de que a pausa do Mundial funcione como segunda pré-temporada. Pode funcionar para alguns. Para outros, significará chegar à parada já quebrado, física e mentalmente.

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Urgência como método
E tem o impacto psicológico. A temporada inicia com clima de ultimato. Técnicos pressionados em março, elencos “rotacionados” antes de criarem identidade. Não há tempo para construção, apenas para sobrevivência. Mesmo quem vence, como Filipe Luís no Flamengo, esteve sob cobrança permanente. No Brasil, ganhar não garante paz. Apenas adia a crise.

Desculpas e incompetência
O calendário apertado também vira escudo conveniente. Há treinadores que se escondem atrás da carga de jogos para justificar desempenhos pobres. Nem tudo é desequilíbrio competitivo ou desgaste acumulado. Em muitos casos, falta competência, convicção e capacidade de organizar a equipe.

A conta de sempre
No fim, o futebol brasileiro segue refém de uma equação mal resolvida: excesso de jogos para quem precisa de caixa e gestão confortável para quem já tem receita garantida. O resultado aparece no campo. Temporadas aceleradas, times no limite em março e esvaziados em outubro. No Brasil, é raro quem se sustenta até dezembro.

Força e desmonte
O Novorizontino chega à final do Paulista com mérito sob o comando de Enderson Moreira. Vira, com justiça, candidato forte na Série B. Porém, a questão é: vai manter a base? Quando time de orçamento enxuto se destaca, vira vitrine. Se resistir ao desmonte, briga em cima. Se vender demais, recomeça do zero.