MP investiga suposta ordem de facção para proibir brigas entre torcidas no Ceará
"Salves" teriam proibido confrontos após violência no Clássico-Rei, jogo entre Ceará x Fortaleza, no último domingo (8)
O Ministério Público do Ceará (MPCE) investiga mensagens atribuídas a uma facção criminosa que teriam determinado o fim das brigas entre torcidas organizadas de Ceará e Fortaleza. Os conteúdos, que circulam nas redes sociais, vieram à tona após episódios de violência registrados antes do primeiro Clássico-Rei de 2026, disputado no último domingo (8), na capital cearense.
O g1 antecipou que as mensagens chegaram ao conhecimento do MPCE, que confirmou a abertura de investigação.
Em nota, o órgão informou que, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), acompanha o caso.
Os supostos comunicados, conhecidos como “salves”, teriam sido divulgados horas após a captura de pelo menos 350 suspeitos envolvidos em confrontos ligados ao clássico entre os dois principais clubes do estado. Segundo o teor das mensagens, lideranças do Comando Vermelho (CV) estariam insatisfeitas com os conflitos recentes e teriam ordenado a interrupção das disputas entre torcedores.
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Antes da bola rolar para o duelo entre Ceará e Fortaleza, torcedores se envolveram em brigas generalizadas em diferentes pontos de Fortaleza, reacendendo o alerta das autoridades de segurança pública quanto à violência associada às organizadas.
Em meio à repercussão, os presidentes de duas das principais torcidas organizadas do estado anunciaram renúncia aos cargos. Em vídeos publicados nas redes sociais, Weslley Paulo, conhecido como Dudu, afirmou não ser mais líder da Torcida Organizada Cearamor (TOC), enquanto Anderson Xiboi comunicou sua saída da presidência da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF).
Até o momento, não há confirmação oficial de que as renúncias tenham relação direta com as mensagens atribuídas à facção criminosa. O caso segue sob investigação das autoridades, que buscam esclarecer a origem dos comunicados e eventual interferência de organizações criminosas no ambiente do futebol cearense.