Beto Lago: "Uma nova Série B mais justa ou mais rentável?"
CBF altera a regra da 2ª divisão do Brasileiro e gera discussão
A nova Série B
O Conselho Técnico da Série B saiu do protocolo e entrou no campo da ruptura. A partir deste ano, o campeonato não para na Copa do Mundo e muda, de forma profunda, o critério de acesso. Campeão e vice sobem direto. As outras duas vagas viram moeda de playoff: 3º x 6º e 4º x 5º, ida e volta. Uma tentativa da CBF de vender emoção onde antes havia regularidade. O discurso fala em competitividade e visibilidade. Sem os “12 grandes”, a Série B sofre para atrair atenção das grandes redes, e o mata-mata vira atalho para audiência, drama e narrativa fácil. É o futebol-espetáculo ganhando mais um espaço. Mas o custo esportivo é alto. A mudança relativiza a lógica da Série B, que sempre premiou constância e capacidade de atravessar 38 rodadas sem colapsar. Agora, um time que passa meses no G4 pode ver todo o trabalho ruir em dois jogos ruins. Fortaleza queria um playoff do 4º x 5ª. Sport e Náutico queriam o formato tradicional. Clubes que conhecem bem a Série B, suas armadilhas e injustiças, e que sabem que regulamento não pode ser remendo de ocasião. Se a ideia é mudar o formato, o mínimo seria planejamento, debate mais amplo e aplicação futura – para 2027 – e não uma virada brusca. Há, claro, o outro lado. As rodadas finais da Série B entregam emoção, mas restrita a poucos clubes. O playoff amplia o número de times vivos até o fim, mantém estádios cheios, pauta a mídia e sustenta o campeonato por mais tempo no noticiário. Para a CBF, isso tem valor. Para o mercado, também. A pergunta que fica é incômoda: a Série B quer ser mais justa ou mais vendável? A escolha foi pelo segundo caminho. Pode até dar certo em audiência, mas corre o risco de esvaziar o mérito esportivo que sempre fez da Segundona um teste de resistência, não de sobrevivência em dois jogos.
Perder credibilidade
Claro que a mudança na Série B traz outras implicações. A principal delas é a insegurança jurídica e esportiva que isso provoca. Que garantia existe de que, em 2028, a CBF não voltará a alterar o formato, criando um novo modelo de playoffs e colocando o 17º e o 18º da Série A frente a frente com o terceiro e o quarto da Série B? Sem critérios estáveis e previsibilidade, o campeonato perde credibilidade.
Vitória com sofrimento
O Santa Cruz sofreu para vencer o Decisão por 2x1. Fez dois gols no primeiro tempo e deu sinais de jogo resolvido, mas caiu de rendimento após o intervalo. O Decisão foi melhor, descontou e não empatou por causa de Rokenedy. O Tricolor leva a vantagem: um empate domingo, na Arena de Pernambuco, garante a semifinal e um clássico contra o Náutico.
E sobre a SAF...
O silêncio neste processo da SAF do Santa Cruz incomoda os torcedores. Desde o anúncio que um dos investidores fazia parte da investigação do Banco Master criou-se uma nuvem de dúvidas e preocupações. Por mais que o presidente Bruno Rodrigues tente tranquilizar, afirmando que o processo segue em ordem, ficam muitos questionamentos no ar.