Beto Lago: 'Ranking da CBF mostra o retrato incômodo do nosso futebol'
Pernambuco já foi referência no Nordeste e hoje ocupa apenas a 11° posição das federações da CBF
Retrato incômodo
Estamos a um dia do início do Pernambucano. Torneio centenário, tradicional, carregado de história, mas que hoje serve também como espelho de um incômodo declínio. Pernambuco, que já foi referência no Nordeste e figurou como quinta ou sexta força nacional nos anos 1980 e 1990 – brigando de igual para igual com os paranaenses –, hoje ocupa apenas a 11ª posição no ranking das federações da CBF. E o alerta é maior: Alagoas já encosta. O avanço de Bahia e Ceará não é mais episódico, é estrutural. Mesmo com os recentes rebaixamentos de Fortaleza e Ceará para a Série B, ambos seguem à frente dos clubes pernambucanos em organização, orçamento, presença nacional e competitividade. O ranking dos clubes é ainda mais cruel: nenhum representante do estado figura hoje entre os 20 primeiros do país. É um retrato duro, mas fiel. Os números recentes ajudam a explicar. O Sport caiu da Série A. O Retrô, que traz o discurso de novo modelo, despencou para a Série D. Os acessos de Santa Cruz (à Série C) e do Náutico (à Série B), foram importantes, mas insuficientes para compensar o estrago causado pelos rebaixamentos e pela ausência de campanhas relevantes em competições nacionais. E o problema não se restringe ao Trio de Ferro. O futebol do interior virou coadjuvante pobre há anos. Clubes tradicionais simplesmente desapareceram do calendário nacional por absoluta falta de recursos, estrutura e apoio. As recentes mudanças da CBF deram um mínimo de fôlego, é verdade. Em 2026, o Maguary disputará pela primeira vez a Copa do Brasil. E, ao lado de Decisão e Central, também estará na Série D. Um dado curioso e revelador das distorções do sistema: a Patativa jogará o Brasileiro mesmo após ser rebaixado no Estadual.
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Pontos fora da curva
Esses três clubes carregam uma responsabilidade que vai além do próprio desempenho. Precisam provar que são exceções positivas, que têm organização, competitividade e capacidade de representar Pernambuco de forma digna no cenário nacional. O futebol pernambucano precisa urgentemente de pontos fora da curva.
Frustração legítima, mas decisão correta
É evidente a frustração do torcedor do Santa Cruz, que sonhava em voltar a ver o clube encarar um adversário internacional, o argentino o Defensa y Justicia. Porém, ao cancelar o amistoso, a diretoria da Arena de Pernambuco agiu corretamente. Houve descumprimento contratual por parte dos organizadores da Vitória Cup, e isso não pode ser ignorado. Mais de 12 mil ingressos já haviam sido vendidos, o que mostra o tamanho do interesse e do potencial do evento. Mas contrato existe para ser cumprido. O prejuízo esportivo é lamentável. E o risco institucional, maior ainda. Não existe futebol profissional sem cumprimento de contratos.
André Luiz na CBN
A CBN Recife segue fortalecendo seu time esportivo. Além de já integrar as manhãs da rádio ao lado do grande Geraldo Freire, o radialista André Luiz Cabral passa a atuar também na equipe de esportes. Estará amanhã, nos Aflitos, comentando a estreia entre Náutico e Maguary.