Postos de gasolina no Recife não aumentam preço do combustível, mesmo com reajuste da Petrobras
Alta da Petrobras, que entrou em vigor nesta sexta (29), foi de R$ 0,04 por litro de gasolina
Mesmo com o aumento do preço da gasolina anunciado pela Petrobras na quinta-feira (28), alguns postos de gasolina no Recife mantiveram ou até reduziram o preço do combustível nas bombas nesta sexta-feira (29).
O aumento da Petrobras, que já está válido, foi de R$ 0,48 por litro. Porém, com o desconto de R$ 0,44 previsto pelas medidas anunciadas pelo governo federal por causa da subvenção para o combustível aprovada pelo governo federal, o valor do reajuste ficou de R$ 0,04 por litro de combustível.
Em uma pesquisa realizada pela reportagem, em postos de gasolina no bairro da Imbiribeira e na Avenida Recife, na Zona Sul do Recife, o preço do combustível foi encontrado no seu menor valor a R$ 7,01, chegando a ser encontrado também a R$ 7,03 e a R$ 7,05, no maior valor.
Entre os postos avaliados entre quinta (28) e esta sexta (29), dois postos, localizados na Avenida Abdias de Carvalho, Zona Oeste da capital, permaneceram cobrando o mesmo preço (R$ 7,05) e outros dois, localizados na Avenida Recife, reduziram o preço. No primeiro, foi registrada uma redução de R$ 0,02 e, no segundo, de R$ 0,10.
Em nota, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis), Alfredo Pinheiro, aponta que o reajuste se trata de uma estratégia política. “O governo força artificialmente uma redução da diferença da paridade internacional enquanto empurra o mercado cada vez mais para a dependência da importação para garantir o abastecimento do país. A própria Petrobras vem reduzindo participação em determinadas importações e ajustando sua política visando resultado financeiro e distribuição de dividendos aos acionistas”, disse.
Ela aponta ainda que, diante disso, quem acaba sustentando parte relevante do abastecimento são importadores e distribuidoras privadas, expostos ao dólar e ao frete internacional. “Depois, o governo cria mecanismos artificiais de subvenção para maquiar momentaneamente os preços e vender uma narrativa política para a população. Mas essa conta não desaparece, fica dentro da cadeia e alguém paga mais na frente”, afirma.
O presidente dos Sindicombustíveis reforça também que, quando surgem os desequilíbrios, a pressão recai novamente sobre os postos de combustíveis, que não definem política de preços. “O preço dos combustíveis não é definido pelo posto. Ele é influenciado pelo petróleo, pelo dólar, pelos custos de importação, pela logística, pela distribuição, pelos biocombustíveis e pela elevada carga tributária. Mesmo assim, querem convencer a população de que o responsável por tudo é o revendedor”, destaca.
Consumidor ainda sente o peso do preço
O recifense Eduardo Barbosa, que trabalha no ramo da vidraçaria, percebeu a redução do preço da gasolina, mas aponta que ainda está abaixo do esperado pela população. “Para a gente conseguir trabalhar com mais tranquilidade, se o preço da gasolina fosse na faixa de R$ 6 já ajudaria bastante. Por exemplo, eu ando cerca de 80 km por dia, há uns dias, eu gastava R$ 300 reais por semana e agora gasto R$ 450. No final do mês, é uma diferença de R$ 600 que eu podia usar para fazer outras coisas”, analisa o consumidor.
Já o motorista Antônio Silva, que mora em Paudalho, na Zona da Mata Norte do estado, revela que desistiu de trabalhar por meio de aplicativo porque o custo para abastecer o veículo não estava compensando. “Há uns dois meses, um litro de gasolina por R$ 5 reais dava para andar 15 quilômetros, agora tem que ser na faixa de R$ 7,50. Então fica complicado porque a gente ganha o mínimo. Antes, eu rodava por aplicativo, mas resolvi parar porque meu carro é só gasolina e estava ficando muito caro”, relatou Antônio.