Aumento do teor de etanol na gasolina deve aumentar produção do biocombustível
Aumento de 30% para 32% de etanol anidro na gasolina será discutido em maio pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou, nesta sexta-feira (24) que o aumento no teor de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% será discutido em maio, na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida faz parte da estratégia do governo para ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir a dependência de importação da gasolina.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, caso seja aprovado, o aumento da porcentagem do etanol anidro deve aumentar a produção do biocombustível no país para suprir a nova demanda no mercado.
“O Brasil produz 15,7 bilhões de etanol anidro e passará a produzir cerca de um bilhão a mais em todo o país, nos estados que existem produção, mas que existem consumo em todos os estados”, afirma.
Ainda segundo o presidente do Sindaçúcar-PE, além de aumentar a porcentagem de um combustível limpo, que reduz emissões de gás carbônico para o meio ambiente, a medida deve conter a alta da gasolina.
“Como o etanol é um combustível mais barato do que a gasolina, ele pode impedir uma expansão de preços da gasolina (quando na mistura)”, aponta.
Segundo o ministro, a medida pode reduzir o preço da gasolina para o consumidor, pois o objetivo é fazer com que o etanol torne o Brasil "autossuficiente" na gasolina. A iniciativa reduz a necessidade de importações e também a dependência de combustíveis fósseis. Ele afirmou que a medida tem potencial de reduzir em cerca de 500 milhões de litros mensais a necessidade de importação de gasolina.
A medida será adotada após os testes já realizados no país, que comprovaram a viabilidade técnica da mistura durante os estudos conduzidos para a mistura de 30% em 2025, segundo o Ministério de Minas e Energia. A Pasta assegura que está garantida a segurança na implementação.
O fator central para a decisão é o preço. A cotação do petróleo no mercado internacional, com reflexo em derivados como a gasolina, foi elevada significativamente após o acirramento do conflito no Oriente Médio. Nesse cenário, ampliar o uso do etanol seria uma medida para reduzir custos.
De acordo com o ministério, a medida terá caráter excepcional temporário, com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogado por igual período, de acordo com decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
*Com informações do Estadão Conteúdo