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Lojistas apontam insegurança como principal entrave para faturamento no Centro do Recife

Pesquisa realizada pela CDL Recife e UniFafire mostra que a insegurança ainda é a maior queixa para quem frequenta comercializa e frequenta o Centro do Recife

Por Cadu Silva e Thatiany Lucena

Comércio do Centro do Recife

A falta de segurança e limpeza urbana do Centro do Recife ainda são os principais fatores que afastam as pessoas do comércio de rua da cidade. Esses problemas estruturais foram apontados em uma pesquisa feita pelo Centro Universitário Frassinetti do Recife (UniFafire) em parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Recife), divulgada nesta quinta-feira (23).

De acordo com o levantamento, 83% dos entrevistados apontaram a segurança e a limpeza urbana (63%) como os problemas que poderiam melhorar no Centro do Recife. Ainda assim, comprar no Centro ainda é a opção preferida por muitos consumidores (65,1%), em detrimento aos shoppings (22%).

Para Isabel Cristina, proprietária de uma loja de fantasias localizada no bairro de São José, a insegurança é, de fato, a questão que mais afasta o consumidor. Segundo ela, nos últimos anos, principalmente após o período da pandemia da Covid-19, foi possível perceber uma queda de cerca de 60% no faturamento da loja. “O comércio caiu muito. A gente só vende alguma coisinha em épocas como a Copa do Mundo, São João e o Carnaval. Fora dessa época, praticamente não temos faturamento”, destaca.

Isabel ainda relata que a maioria dos lojistas contratam equipes de segurança para proteger o estabelecimento. “Sem segurança, o povo não vem para a rua. Infelizmente o Recife está jogado. Eu pago quase um valor de um aluguel em segurança há 33 anos, tanto durante o dia como na parte da noite”, revela ao apontar que o investimento chega a cerca de R$ 150 por semana.

Menor preço atrai clientes

Segundo o presidente da CDL Recife, Fred Leal, mesmo diante de desafios do setor na busca por maior conforto e segurança para os consumidores, o preço ainda é o principal atrativo do comércio de rua. “Neste momento da economia, isso define muito, porque a renda diminuiu e a população ainda é muito endividada. O Centro traz esse diferencial do preço mais baixo em relação aos outros equipamentos de comércio”, pontua Leal.

Entre os itens preferidos identificados pelo levantamento, o setor de vestuário se destaca entre 55,6% dos entrevistados. O ticket médio varia entre R$ 51 e R$ 150. Já o Pix é o método de pagamento preferido pelos consumidores (38,1%), seguido pelo dinheiro (28%) e cartão de crédito (26,3%).

A pesquisa ouviu 536 moradores de bairros da Região Metropolitana do Recife, entre os dias 23 e 27 de março. De acordo com os dados a pesquisa, o motivo da preferência das pessoas pelo comércio de rua da capital pernambucana é a variedade de produtos e preços mais baixos.

Esse é o caso da consumidora Suzany Barros, de 40 anos, que costuma frequentar o comércio do centro para fazer compras com a sua filha Maria Gabriela, de 17 anos. Para ela, comprar fisicamente, geralmente, ainda é mais vantajoso que online. “Gosto muito do presencial, de ver o produto e tocar o produto e tocar. Na internet, muitas vezes, você compra uma coisa e chega outra. Comprar no centro também é uma tradição. Antigamente a gente vinha muito com os nossos familiares e isso é uma coisa boa para perpassar”.

Já a recifense Girlene Cavalcanti, de 65 anos, que trabalha com a venda de artesanatos e frequenta o centro há mais de 50 anos lamenta a queda do movimento no Centro nos últimos anos, porém relata o serviço de delivery como uma oportunidade. “A diminuição do movimento é visível por conta da facilidade da entrega dos itens. A gente liga e pede a mercadoria e eles mandam entregar em casa, por isso, a gente entra em uma loja de artigos e quase não vê ninguém”, afirma. Ela relatou ainda que enxerga o mercado de vendas online como uma saída para manter as vendas, por isso pretende investir em breve no digital.