Dólar fecha em leve queda, a R$ 4,9742, menor valor em dois anos
Queda do dólar foi influenciada pela emenda do feriado de Tiradentes, na terça-feira (21)
O dólar manteve o comportamento próximo da estabilidade ao longo desta segunda, 20, encerrando o pregão em leve recuo, a R$ 4,9742, menor valor de fechamento em dois anos. O ambiente de volume de negócios mais fraco devido à emenda de feriado no Brasil contribuiu para o range reduzido das operações nesta segunda-feira.
No exterior, a retomada das tensões no Oriente Médio, com Trump reiterando o bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz à tarde, reforçou a cautela do mercado global. A dinâmica foi mais uma chancela para o avanço de mais de 5% no barril de petróleo, cotado a US$ 95, acompanhando a volta das restrições do Irã sobre Ormuz no final de semana. No entanto, a disparada nos preços favorece os termos de troca de países exportadores da commodity, como o Brasil.
"O estresse relacionado a Ormuz tem dado uma volatilidade pequena ao real na comparação com outros momentos. Significa que o real está bem resiliente a todos esses acontecimentos e reforça a tendência positiva", avalia o head da mesa de câmbio e internacional da Mirae Asset, Jonathan Joo Lee. Ainda segundo ele, o movimento favorece as ações das petrolíferas na bolsa brasileira, como Petrobras e Prio.
Com mínima de R$ 4,9711 e máxima de R$ 4,9888, o dólar à vista terminou o dia em queda de 0,18%, a R$ 4,9742, menor valor de fechamento desde 25 de março de 2024, quando a divisa fechou cotada a R$ 4,9734. A moeda acumula desvalorização de 3,95% no mês e de 9,38% no ano em relação ao real. Às 17h22, o dólar futuro caia 0,11%, cotado a R$ 4,9845.
Além disso, a expectativa de um diferencial de juros ainda forte com o ciclo de queda da Selic menor que o esperado, contribui para o real se beneficiar ante o dólar, segundo o diretor de investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, Marco Mecchi.
O boletim Focus divulgado hoje mais cedo indicou piora da desancoragem das expectativas de inflação. A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, acima do teto da meta de inflação. As expectativas para 2027 também avançaram, para 3,99%, enquanto as de 2028 e de 2029 permaneceram em 3,60% e 3,50%, pela ordem.
"As expectativas para 2026 subiram rapidamente e as de 2027 e as de 2028 já estão mais próximas de 4% do que de 3%. O choque do petróleo e a desancoragem das expectativas são pontos que incomodam muito o Banco Central", observa Mecchi.
Ainda que o choque de oferta seja um incômodo para a inflação, por um lado, o real tem demonstrado resiliência e valorização frente ao dólar global (DXY) nos últimos 45 dias, na avaliação da BGC Liquidez. A expectativa é de que, no curto prazo, a taxa de câmbio se mantenha estável entre R$ 4,97 e R$ 4,98, com bandas de flutuação variando de R$ 4,90 a R$ 5,05.