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Entrada do Nubank na Febraban pode aumentar burocracia para clientes

Com a decisão, fintech passa a funcionar como um grande banco, se adaptando às regras mais tradicionais. Instituição também busca obter licença bancária

Por Thatiany Lucena

Fundado em 2013, o banco registrou em 2025 uma receita de US$ 16,3 bilhões e lucro líquido de US$ 2,9 bilhões

O Nubank entrou recentemente para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com decisão aprovada, de forma unânime, pelo Conselho Diretor da Federação. De acordo com o economista, professor do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE), consultor e palestrante, Werson Kaval, o movimento da instituição financeira na Febraban faz com que a empresa possa funcionar como um grande banco.

Para os clientes, isso também se reflete em burocracias mais semelhantes aos bancos tradicionais, analisa o economista. A filiação do Nubank à federação acontece em meio ao processo da instituição para obtenção da licença bancária.

Segundo o economista, ao se tornar um associado, o entendimento da instituição financeira é de que muitos embates em relação às regras deixarão de acontecer. “Por ser um banco digital, eles entravam em muita situação de confronto com as algumas regras da Febraban, que são mais tradicionais”, explica. Segundo o professor, ao integrar o grupo, o Nubank passa a participar das decisões dos associados e ter poder nas discussões regulatórias para o setor bancário.

Fundado em 2013, o banco registrou em 2025 uma receita de US$ 16,3 bilhões e lucro líquido de US$ 2,9 bilhões, se consolidando como uma das maiores plataformas de serviços digitais financeiros do mundo. Segundo Kaval, a empresa hoje alcança resultados que já ultrapassam bancos tradicionais no mercado e a tendência é que outras fintechs sigam o mesmo movimento. “Do ponto de vista regulatório, é interessante porque todo mundo passa a ter mais segurança para trabalhar com essas fintechs, que deverão atuar como se fosse grandes bancos também”, afirma.

Por outro lado, segundo ele, caso esse movimento ocorra, a concorrência entre os bancos deve diminuir, o que pode afetar o consumidor. “Para onde o consumidor correr, ele vai ter o mesmo serviço, o mesmo produto e as mesmas taxas e isso não é legal. A gente precisa dessa competitividade no segmento. Geralmente, as fintechs possuem as menores taxas de juros e a partir do momento que elas passam a fazer parte de um mesmo grupo, essa pressão competitiva pode reduzir”, explica.

Reflexo da crise do Banco Master

O movimento ocorreu logo após a repercussão da fraude bilionária do Banco Master que afetou a confiança dos clientes dos bancos no país. A insegurança surgiu nos consumidores com receio de que uma nova instituição financeira passasse pelo mesmo tipo de crise.

De acordo com o professor Werson Kaval, a consolidação da empresa e os lucros alcançados nos últimos anos é um aspecto, que de certa forma, dá garantia para os clientes e para quem trabalha na empresa, de que “não vai acontecer a mesma coisa que aconteceu com o Master”.

O professor confirma que o acesso à Febraban assegura ao Nubank novas garantias. “A fintech, quando acessa a Febraban, passa a ter direito ao fundo garantidor de crédito, aquele FGC que está sendo consumido por causa do que está acontecendo (Caso Master)”, afirma.

Fintech x banco

O professor explica que a principal diferença entre os perfis de instituição é que na chamada Fintech não existe estrutura física e o serviço acontece no mundo digital, por meio de aplicativo. “Do ponto de vista digital, ele é mais direcionado e utiliza muita tecnologia para dar andamento aos processos. Com isso, o cliente sente maior agilidade no atendimento à sua necessidade”, analisa. Já o banco tradicional se caracteriza pela presença de estrutura física, oferecendo ao cliente o serviço presencial em agências.