Copom decide reduzir taxa básica de juros para 14,75% ao ano
Redução da taxa acontece diante da alta do petróleo, sob pressão da guerra no Oriente Médio
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto para 14,75% em reunião nesta quarta-feira (18). A decisão, que ocorre após quase dois anos sem corte, já esperada pelo mercado e acontece diante da pressão da inflação e alta do petróleo, reflexo de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, que impactam no aumento do preço dos combustíveis.
De acordo com o head de Renda Variável da Pequod Investimentos, Guilherme Fiore, além das tensões geopolíticas, também pesaram na decisão a resistência da inflação de serviços no Brasil e o dólar elevado que reflete em itens importados mais caros, como o trigo, que impacta diretamente o consumo.
Diante desses fatores, o corte do Copom é uma tentativa de amenizar o impacto dos preços para a população. “Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu com alta de 0,70%, acima do esperado, e isso levou à piora nas projeções para o fim do ano. Esse cenário exige um ciclo de cortes mais gradual e cauteloso”, afirma.
Fiore detalha ainda que, considerando o cenário de incertezas e riscos, o comitê eleva a projeção do IPCA. “O Copom já aumentou a sua projeção para um IPCA em 2026 de 3,4% para 3,9%. Quando ele deixa a taxa de juros elevada, está querendo amenizar a inflação, visto que a estratégia do Copom é convergência da inflação para a meta”, aponta.
Ainda de acordo com ele, as incertezas no ambiente externo dificultam a previsão do cenário para os próximos meses e provocam mudanças na postura do colegiado para se adequar a essa nova realidade. “Enquanto os conflitos no Oriente Médio persistirem e o preço do petróleo permanecer elevado, o Copom deve tomar medidas mais cautelosas. O comitê não quis se comprometer com o ritmo de corte de juros daqui pra frente e deve seguir sem comprometimentos, até o cenário externo melhorar”, analisa.
Dívida pública
Para Fiore outro ponto de atenção que também tem peso na decisão do Copom é o cenário das contas públicas, que é acompanhado pelo Banco Central. “A dívida pública deve seguir em alta e pode chegar a 83,6% do PIB em 2026. Além disso, há pressões por aumento de gastos, o que reduz a confiança e limita o espaço para cortes mais intensos na Selic”, analisa.