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Banco Master: entenda o conglomerado e as instituições ligadas ao caso

De novembro de 2025 até fevereiro, oito instituições que fazem parte do conglomerado do Banco Master foram liquidadas

Por Thatiany Lucena

Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central

O Banco Central (BC) já liquidou oito instituições financeiras que fazem parte do conglomerado do Banco Master e outras empresas ligadas ao sistema, entre novembro de 2025 até fevereiro deste ano. Considerada uma das maiores fraudes do sistema financeiro, o caso é alvo da operação Compliance Zero, que investiga o esquema bilionário de fraudes financeiras e desvios de recursos.

O economista e planejador financeiro Danilo Miranda explica que o Banco Master tem o perfil de banco múltiplo, característica comum e aprovada pelo BC. “O banco múltiplo é um banco tem que ter pelo menos uma carteira de comercial ou uma carteira de investimento para fazer aplicações financeiras. Ele pode ter também mais carteiras, por exemplo de habitação”, afirma.

Ainda de acordo com o especialista, “é normal o banco múltiplo ter vários braços, vários CNPJs no seu conglomerado”. Miranda explica que é natural que o conglomerado comece com uma ou duas instituições e depois adquira novos produtos para aumentar a sua participação no mercado financeiro.

Ele explica que, nesse caso, o que está fora da normalidade é a fraude realizada pelo Banco Master, por exemplo, com a venda de fundos fictícios e emissão de ativos sem cobertura. A consequência é para todo o sistema. “O prejuízo é para os bancos sérios e para os investidores, principalmente aqueles que têm mais de R$ 250 mil no banco. Esses estão tendo prejuízo”, explica.

O montante de R$ 250 mil é garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que funciona como um seguro dos bancos e arca com a cobertura para os investidores, caso o banco chegue a quebrar. A estimativa é que o rombo total no FGC considerando as liquidações de oito instituições ligadas ao Master ultrapasse R$ 51,8 bilhões.

O conglomerado

Faziam parte do conglomerado do Banco Master Múltiplo S.A, as seguintes instituições: Banco Master S.A, Banco Master de Investimento S.A, Banco Letsbank S.A, Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. Entre novembro de 2025 e fevereiro deste ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial das instituições.

Além desse grupo, outras instituições estavam ligadas ao Master, como a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), empresa que fazia a gestão dos fundos no Reag Investimentos, liquidada em janeiro. A instituição teria integrado a rede de fundos usados pelo Master para inflar de forma artificial o patrimônio da instituição, contribuindo para as fraudes.

Já o Banco de Brasília (BRB) passou a integrar o caso após a tentativa de compra do Master em março de 2025. No início de fevereiro, a Polícia Federal (PF) abriu um novo inquérito para investigar suspeitas de gestão fraudulenta na instituição financeira ligada ao governo do Distrito Federal.

A compra pelo BRB de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master, com ativos superfaturados ou inexistentes é alvo de investigações. Desse total, o BRB afirma que aproximadamente R$ 10 bilhões foram substituídos ou liquidados e negou o bloqueio de bens.

O Grupo Fictor, que também tentou comprar o Master, entrou com um pedido de recuperação judicial no início de fevereiro. Na ocasião, a Fictor Invest e Fictor Holding, duas empresas do grupo, entraram com o pedido de recuperação com dívidas de cerca de R$ 4 bilhões.

Em 21 janeiro foi a vez da liquidação do Will Bank (Will Financeira S.A), instituição controlada pelo Banco Master. Além do vínculo com o Master, o Banco Central alegou que a instituição não conseguia arcar com as suas dívidas. Um fator que agravou a situação foi o descumprimento das dívidas com a Mastercard.

No dia 18 de fevereiro, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Pleno (Ex-Voiter) e da instituição Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (Pleno DTVM), que faz parte da empresa. O Banco Pleno fazia parte do conglomerado Master e era controlado por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Master. Ele deixou a sociedade em maio de 2024 e em agosto de 2025 passou a controlar o Banco Pleno.