Banco Central decreta liquidação da CBSF, ex-Reag, após operação da Polícia Federal
Antiga Reag Investimentos é investigada por suposta fraude bilionária envolvendo o Banco Master; medida do BC acontece um dia após ação da PF
Envolvida na investigação de uma fraude bilionária no Banco Master, a Reag Investimentos, atualmente denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., teve a liquidação extrajudicial decretada nesta quinta-feira (15) pelo Banco Central do Brasil (BC). A Polícia Federal investiga se fundos da gestora foram usados em fraudes junto ao Banco Master, liquidado em 18 de novembro.
Segundo a decisão, a liquidação foi adotada porque a CBSF, ex-Reag, infringiu normas que disciplinam as suas atividades. O BC alertou ao Ministério Público Federal sobre transações relâmpago feitas por vários fundos da Reag a partir de um empréstimo do Master.
A empresa tem sede em São Paulo e está no centro da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14), que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Galípolo nomeou como liquidante a APS Serviços Especializados de Apoio Adminitrativo Ltda., tendo como responsável técnico Antonio Pereira de Souza. Ele já trabalhou ao menos na liquidação do Banco Bamerindus.
Durante a operação, João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, foi alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.
Operação Compliance Zero
Nesta quarta, 14, a Polícia Federal lançou a segunda fase da operação Compliance Zero, apurando o esquema bilionário de fraudes financeiras por meio de fundos da Reag. A corporação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master.
Na primeira fase da operação, Vorcaro chegou a ser preso um dia antes de o Master ser liquidado. Desde então, foi solto. Na noite de ontem, Galípolo teve uma reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Não há informações detalhadas sobre a pauta.
O caso do Banco Master tornou-se um dos principais escândalos financeiros do país, gerando repercussão nacional e uma disputa institucional entre órgãos reguladores. Em novembro, o Banco Central já havia determinado a liquidação extrajudicial do próprio Banco Master, após surgirem suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), em um negócio avaliado em R$ 12,2 bilhões.
Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o episódio pode representar a “maior fraude bancária da história do Brasil”.