Porto Digital: Recife se consolida como polo tecnológico no país
Em entrevista ao Diario, presidente do Porto Digital falou sobre a evolução e expansão do polo tecnológico, que atualmente abriga 500 empresas e mais de 21 mil pessoas e tem projetos em outras cidades e até fora do país
Há 25 anos, o Porto Digital foi criado como um projeto pioneiro, unindo forças entre o governo, universidade e setor produtivo. O ecossistema foi capaz de alavancar o número de capacitações e de empregos diretos gerados na capital, além de alcançar R$ 6,2 bilhões de faturamento em 2024 e crescer em 226% o faturamento do polo entre 2018 e 2024.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, detalhou os principais projetos do polo tecnológico do Recife e os avanços que consolidaram a capital do estado como referência na captação de investimentos e na inserção de jovens no mercado de tecnologia no país.
Novos investimentos
O que a gente tem formado aqui no Recife tem sido muito importante e mais do que suficiente para atrair grandes negócios para cá. Nesse ano (2025), a gente já abriu a Ernest Young e a Capgemini. Só a Capgemini vai contratar 1.200 pessoas até o ano que vem (2026). Também teremos a chegada do Banco Inter aqui dentro, que vai funcionar em um espaço que está sendo reformado no Paço Alfândega.
Criação do Porto Digital
O Porto Digital nasceu com dois propósitos. O primeiro deles: ser um projeto de restauro aqui do bairro do Recife; e, o segundo, de geração de emprego e renda para a cidade do Recife. Principalmente, porque a gente já formava, no final da década de 90, muitos profissionais qualificados na Universidade Federal de Pernambuco e essas pessoas iam embora daqui. Então, o ecossistema foi criado com a ideia de encontrar um espaço onde as pessoas pudessem fazer a sua carreira aqui no Recife.
Evolução do ecossistema
A gente começou com duas empresas de 50 pessoas. Hoje, nós somos 21.500 pessoas (empregos diretos) espalhadas em aproximadamente 500 empresas aqui dentro. Durante esse período, a gente teve a chegada do smartphone e o digital passou a fazer parte da vida das pessoas com as redes sociais. Foram muitas mudanças ao longo desse período, mas tem uma coisa que une tudo isso de alguma forma, são as pessoas.
Aumento da qualificação e ocupação das vagas de trabalho
Quando eu cheguei aqui no Porto Digital, em 2018, um problema que era muito recorrente era que as empresas estavam recusando projetos porque faltava gente para trabalhar. Isso acontece no Brasil todo, mas aqui no Recife a gente resolveu. Principalmente, quando a gente fez a nossa residência aqui junto com as universidades e a chegada do programa Embarque Digital, com a prefeitura do Recife. Hoje, temos a maior quantidade per capita de alunos de tecnologia do Brasil. Saímos de 500 para 1.400 formados na cidade por ano, em nível superior, e mais do que dobramos o número de formados vindos de escola pública. A gente está vendo a periferia do Recife ocupando as vagas de trabalho, que antes eram basicamente ocupadas por pessoas de classe média.
Mais mulheres na área
Programas de inclusão feminina estão dentro de quase todas as empresas aqui dentro. Considerando os dados do embarque digital, 33% dos estudantes são meninas. Ao contrário da média nacional, que chega a 14% na área de tecnologia. Então, hoje, temos mais do dobro da média nacional. Hoje, o Porto Digital é basicamente um movimento de cultura digital, que tem por por objetivo fazer um processo de inclusão produtiva de todo mundo que queira trabalhar com ciência e tecnologia e que queira investir em educação. Grande parte das empresas têm programas e ações afirmativas.
Interiorização e internacionalização
Diante da reforma tributária e as mudanças na tributação, que impõe um preocupação muito grande no setor de serviço, que vai ser muito mais taxado, estamos expandindo para outros lugares também. No projeto de interiorização, estamos em Caruaru e vamos para Petrolina agora. Hoje, também estamos administrando projeto de inovação de Goiás e em Portugal, onde temos um Hub na cidade de Aveiro com mais de 30 empresas brasileiras. Esse é um projeto a longo prazo de internacionalização das companhias que querem buscar projetos no país, que é uma porta da Europa. O Porto Digital também tem projeto educacional em Brasília e em Aracaju.
Parcerias
O Porto Digital teve como molas propulsoras uma redução fiscal de ISS lá atrás, que agora vai cair por causa da reforma tributária. Tivemos um incentivo do governo do estado nos anos 2000, com R$ 30 milhões. A gente disputa editais nacionais e internacionais e recursos para fazer frente a essas políticas. A gente tem parceria com todo mundo que quer trabalhar com a gente, com os governos (federal e estadual), prefeitura do Recife, Finep e comunidade europeia.