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Francisco: legado e profecia

Jorge Mario Bergoglio viveu longamente (1936-2025) e ganhou projeção mundial a partir da noite de 13 de março de 2013, quando foi eleito como o 266º sucessor do apóstolo Pedro, como bispo de Roma

Por Pe. Delmar Cardoso

Cruz no túmulo do papa Francisco antes de missa pelo 1º ano de sua morte, na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma

Em 21 de abril do ano passado o papa Francisco encerrava sua vida terrena. A data é a mesma da fundação de Roma (753 a.C.). Nós, brasileiros, recordamos neste dia o martírio de Tiradentes e também a inauguração de Brasília.

Jorge Mario Bergoglio viveu longamente (1936-2025) e ganhou projeção mundial a partir da noite de 13 de março de 2013, quando foi eleito como o 266º sucessor do apóstolo Pedro, como bispo de Roma. Mesmo sendo jesuíta, isto é, membro da ordem religiosa por Santo Inácio de Loyola – a Companhia de Jesus – adotou desde sua eleição o nome de Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis, santo conhecido pela simplicidade da fé, pelo amor aos pobres e pela busca da fraternidade e da paz entre todos.

Francisco pertencia à ordem dos jesuítas e fazia quase 200 anos que a Igreja não tinha um papa membro de uma ordem ou congregação religiosa. Seu sucessor, Leão XIV, também pertence a uma ordem religiosa (no caso, à Ordem de Santo Agostinho).

Talvez esteja aí uma explicação da simplicidade com a qual o papa Francisco marcou seu pontificado. Sim, Francisco foi um papa da humildade e da simplicidade. Começou-se a perceber isso desde o momento em que ele, antes de dar sua primeira bênção como papa, pediu que o povo suplicasse sobre ele a bênção de Deus, inclinando-se diante da multidão reunida na praça de São Pedro naquela bem lembrada noite em que foi eleito papa.

A simplicidade de Francisco foi a grande característica do modo como ele vivenciou sua missão de sucessor de Pedro. Suas falas se mostravam sempre muito simples e diretas, conseguindo uma comunicação que atingia todas pessoas. Francisco evitava uma erudição estéril e incapaz de atingir o coração humano. Evidenciava muito mais a atitude de quem está disposto a dialogar com a Igreja e com o mundo, e não simplesmente disposto a ensinar.

Na encíclica Laudato si’, Francisco cunhou a expressão “ecologia integral”, com a qual conjuga o tema da ecologia e das mudanças climáticas com a questão da justiça, ou melhor, da injustiça de um sistema que descarta milhões de pessoas. Ele também convocou os católicos à atitude da sinodalidade, palavra formada a partir o termo grego sýnodos, que significa caminho compartilhado.

Para recordar o papa Francisco, neste primeiro ano de sua partida, a Unicap realizará uma missa às 18h do dia 28 de abril. Em seguida, às 19h, haverá uma mesa redonda sobre seu legado e profecia. Na mesma ocasião, será lançado o livro A tradição dinâmica: o transbordamento como estratégia do papa Francisco para ultrapassar a polarização entre o depósito da fé e o da vida, de autoria de Gabriel Marquim (Recife: Carpintaria, 2026), seguida de autógrafos.

Pe. Delmar Cardoso SJ,
Professor de filosofia, vice-reitor da Unicap e reitor do Santuário de Fátima.