Aluno JORGE, Ministro MESSIAS: da formação acadêmica à interpretação autêntica
No sacerdócio do ensino, o maior triunfo de um educador é o sucesso do aluno, seja no âmbito profissional, seja na seara pessoal, em sua jornada posterior à formação acadêmica
No sacerdócio do ensino, o maior triunfo de um educador é o sucesso do aluno, seja no âmbito profissional, seja na seara pessoal, em sua jornada posterior à formação acadêmica. Mesmo considerando que a “criação” de um profissional não se restringe ao ambiente educacional no qual foi forjada a base de sua capacidade técnica, tampouco seu acervo de princípios éticos se limita aos valores extraídos das fontes reveladas e das lições desenvolvidas pelos seus docentes, estes naturalmente assumem posição privilegiada para avaliar aquele que, se não se sujeita mais às suas provas e perguntas técnicas próprias da aprendizagem, para sempre permanece no escopo de observação de quem sabe que contribuiu fundamentalmente para a formação de quem já alça seus próprios voos.
No estudo do Hermenêutica Jurídica, a interpretação autêntica corresponde à compreensão desenvolvida pelo próprio criador da norma, declarando o seu sentido e alcance, segundo a perspectiva de quem a construiu. As próximas linhas pretendem, ao destacar características e predicados de um aluno do passado, refletir uma interpretação autêntica de seus professores sobre as suas qualificações.
Jorge Messias, que atualmente ocupa o cargo de Advogado-Geral da União, concluiu o seu curso de Direito na Universidade Federal de Pernambuco em 2003. Na tradicional Faculdade de Direito do Recife - FDR, o jovem Jorge frequentou as salas de aula dos signatários dessas linhas e viveu intensamente a experiência de ser um integrante da “Casa de Tobias”. Foi um aluno dedicado aos estudos e à melhoria das condições de todos ao seu redor, evidenciado empatia e compaixão com aqueles que, por qualquer motivo ou causa, enfrentavam dificuldades adicionais na jornada universitária ou mesmo na vida fora do campus. Onde havia um colega necessitando de uma ajuda ou de uma orientação, lá estava o Jorge para auxiliar e cuidar. A sua extraordinária capacidade de liderança, representando colegas quando estes não tinham voz, aliada à sua habilidade em mediar conflitos com um temperamento sereno e tranquilo, contribuiu decisivamente para a solução de inúmeros problemas surgidos no dia-a-dia de uma faculdade pública.
Em sala de aula, Jorge Messias era um discente exemplar. Entre o alunado, se dedicava a estender a mão a quem precisasse, inclusive àqueles que pensavam de forma diferente da sua quanto a temas polêmicos. Talvez seja esta uma das mais belas características deste jovem de nome Jorge, a de saber conviver pacificamente com quem pensa diferente, com a competência de bem distinguir ideias de pessoas. E, convenhamos, é necessário reconhecer que esta aptidão de saber, com tolerância e respeito, conviver com a pluralidade e diversidade de pensamentos, materializando a alteridade na sua dimensão mais significante, é uma qualidade de imensurável valor em uma sociedade verdadeiramente civilizada.
Pois este mesmo Jorge foi indicado pelo presidente Lula para o cargo de ministro do STF, órgão máximo do nosso Judiciário e guardião da Constituição. Em breve, passará pela sabatina diante do Senado Federal, para obter o endosso ao cumprimento dos requisitos constitucionais do notável saber jurídico e da reputação ilibada. Enquanto educadores que ativamente contribuímos para a “construção” da base deste grande profissional do Direito e enquanto verdadeiros “intérpretes autênticos”, asseveramos que Jorge Messias supre plenamente tais requisitos, sendo um egresso que dignifica a Faculdade de Direito do Recife, um recifense que honra a sociedade pernambucana, e, acima de tudo, um brasileiro que continuará a nos dar orgulho.
A indicação de Jorge Messias ao STF foi um dos maiores acertos da atual gestão do Presidente Lula. E a aprovação do Senado será uma das grandes contribuições desta Casa para o futuro do nosso país.
Sergio Torres Teixeira,
Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti,
João Maurício Adeodato
Professores da Faculdade de Direito do Recife/UFPE