Por que a popularidade do presidente não está alta
Será que a economia pode explicar o mau desempenho da popularidade do presidente, mesmo sendo este o melhor governo que o Brasil teve, pelo menos desde os mandatos de FHC?
Na campanha para presidente dos EUA de Bill Clinton, em 1992, seu consultor político e estrategista James Carville cunhou uma frase que passou a ser comumente repetida: “É a economia, estúpido”. Os EUA enfrentavam uma recessão econômica. Apesar da popularidade de Bush após a Guerra do Golfo, a insatisfação com a economia era crescente.
O Brasil atualmente não vive uma recessão. Teve até mesmo desempenho econômico superior ao esperado nos três anos da atual gestão. A taxa média de crescimento do PIB foi de 3,0% ao ano desde 2023, e a inflação caiu de 5,78% em 2022 para 4,26% em 2025. A taxa de desemprego atingiu a mínima histórica desde 2012 no último trimestre de 2025, chegando a 5,1%.
Então, será que a economia ainda assim pode explicar o mau desempenho da popularidade do presidente, mesmo sendo este o melhor governo que o Brasil teve, pelo menos desde os mandatos de FHC? Esses últimos empenharam-se muito em ações modernizadoras da economia, enquanto o Lula III foi mais voltado para o desenvolvimento social. Assim, embora todos tenham sido eficientes, a comparação entre eles envolve preferências individuais, o que a torna difícil.
O rendimento médio do trabalho atingiu, em 2025, patamares superiores a todos os demais da série do IBGE disponível desde 2012 (PNAD Contínua Trimestral). Mas esse desempenho esconde alguns fatos relevantes. A maior parte desse aumento veio da elevação da formação educacional da população ocupada, com crescimento dos anos médios de estudo, sobretudo pelo aumento da participação de pessoas com nível superior. Embora os rendimentos médios das pessoas com níveis superior e médio completos tenham se elevado desde o início do Governo Lula III, ainda assim não atingiram os níveis registrados em Dilma I (2013 e 2014).
Em 2013, trabalhadores com ensino médio completo tiveram rendimento médio real (preços de 2025) de R$ 2.689,00. Em 2025, esse rendimento foi de R$ 2.683,50, proporção de 99,8% em relação a 2013. Entre os trabalhadores com ensino superior, os valores foram de R$ 7.590,50 em 2013 e R$ 7.263,50 em 2025, proporção de 95,7%. Quando consideramos os rendimentos líquidos do serviço da dívida (média para todas as famílias, BACEN), essas proporções caem ainda mais: 92,8% para os com ensino médio completo e 89% para os com ensino superior. Ou seja, a mão de obra ocupada (incluindo empregadores) está com renda em queda e ainda sofre perdas maiores por causa do endividamento. Isso significa que, para a percepção popular, a economia não vai bem, apesar do bom desempenho dos principais agregados macroeconômicos nos últimos três anos.
Soma-se a essa realidade a frustração de expectativas. Pessoas que completam o nível superior criam expectativas de renda alta, mas isso não se concretizou porque a expansão do acesso foi muito rápida e extensiva, provocando queda na qualidade do ensino. Por consequência, passaram a ser formados profissionais com preparo mais debilitado. Esse fenômeno ocorre em todos os países que passam por processo semelhante ao brasileiro ocorrido nos governos Lula I e II e Dilma I e II. Isso elevou muito a frustração desse público, criando um estado subjetivo propenso às críticas do discurso fascista da extrema direita.