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Futebol x Política...a dança das cadeiras, quem muda mais?

No Brasil, existe uma competição silenciosa e acirrada: quem troca mais de camisa, o futebol ou a política?

Por Carlos Frederico Vital

Futebol e política

No Brasil, existe uma competição silenciosa e acirrada: quem troca mais de camisa, o futebol ou a política? De um lado, técnicos demitidos antes mesmo de decorar o nome dos jogadores. Do outro, parlamentares que mudam de partido com a naturalidade de quem muda de gravata. É a verdadeira Série A da incoerência nacional.

No futebol, o técnico brasileiro virou produto descartável. Chega sorrindo, fala em "projeto de longo prazo", promete intensidade, posse de bola e comprometimento. Três jogos depois, já está dando entrevista de despedida, agradecendo ao elenco e desejando sorte ao sucessor, que provavelmente também não chegará ao segundo turno… digo, segundo mês.

A média de permanência inferior a seis meses faz do técnico brasileiro uma espécie de contrato de aluguel: vence rápido, não cria raízes e raramente deixa saudade. O dirigente, por sua vez, demite com a mesma convicção com que contratou. É o famoso "erro planejado". O clube troca de treinador como quem troca de técnico de Wi-Fi: não melhora muito, mas dá a sensação de que algo foi feito.

Na política, a coisa é mais sofisticada. O parlamentar não é demitido, mas também não fica parado. Ele apenas troca de partido com a elegância de quem muda de camarote. A ideologia, nesse caso, é apenas um detalhe decorativo, como o escudo na camisa que pode ser substituído sem grandes dramas.

Quando abre a janela partidária, Brasília vira um mercado da bola. Deputados circulam pelos corredores como empresários de jogadores, negociando minutos de televisão, fundo eleitoral e proximidade com o poder. O discurso muda, a bandeira muda, o slogan muda. Só não muda o mandato.

É o clássico: ontem oposição, hoje base; ontem liberal, hoje desenvolvimentista; ontem crítico, hoje aliado. Uma versatilidade que faria inveja a qualquer jogador polivalente. No futebol, pelo menos, o lateral improvisado ainda precisa aprender a marcar. Na política, a adaptação é instantânea.

Enquanto isso, o jogador virou o mais fiel da história. Contratos longos, multas milionárias e redes sociais vigilantes reduziram a troca entre rivais. Hoje, é mais fácil um técnico sair três vezes do mesmo clube do que um jogador trocar diretamente entre adversários.

O resultado é curioso: o técnico entra e sai como estagiário, o político muda de partido como influencer muda de opinião, e o jogador, antes acusado de mercenário, virou o símbolo de estabilidade institucional.
No curto prazo, o futebol lidera a rotatividade. A cada rodada, um técnico cai e outro assume prometendo "resgatar a confiança". No longo prazo, porém, a política brasileira é imbatível. Entre eleições, adversários históricos se abraçam, partidos se reinventam e convicções evaporam com a velocidade de coletiva pós-derrota.

No fundo, futebol e política compartilham a mesma lógica: bastidores intensos, discursos ensaiados e torcidas apaixonadas. A diferença é que, no futebol, a troca de camisa gera vaia. Na política, muitas vezes, gera tempo de TV.

E assim segue o campeonato nacional da conveniência: técnicos demitidos na segunda, políticos reposicionados na terça e o torcedor-eleitor tentando entender quem ainda joga no mesmo time. No Brasil, a camisa pode até mudar, mas a dança das cadeiras continua em ritmo de final de campeonato, com prorrogação, pênaltis e, quase sempre, sem fair play.

Carlos Frederico Vital - Advogado