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Machosfera

É com extrema preocupação que vejo movimentos machistas se expandindo na sociedade

Por Sérgio Ricardo Araújo Rodrigues

Red Pill é um termo inspirado em Matrix usado por homens que dizem ter "despertado" para a ideia de que o sistema favorece as mulheres e prejudica os homens

É com extrema preocupação que vejo movimentos machistas se expandindo na sociedade.

Os novos movimentos machistas, que ganharam força principalmente no ambiente digital, são frequentemente agrupados sob o termo genérico Machosfera (ou manosphere).

Esses grupos reúnem homens que compartilham discursos de ódio, misoginia e resistência ao avanço dos direitos das mulheres.

Os principais subgrupos e conceitos que compõem esses movimentos incluem:

  • Red Pill: Um dos termos mais difundidos, inspirado no filme Matrix. Refere-se a homens que acreditam ter "despertado" para uma suposta realidade onde o sistema favorece as mulheres e oprime os homens.
  • Incels (Celibatários Involuntários): Grupos de homens que se sentem incapazes de encontrar parceiras românticas ou sexuais e, por isso, desenvolvem um profundo ressentimento e hostilidade contra as mulheres.
  • MGTOW (Men Going Their Own Way): Homens que propõem o afastamento total de relacionamentos sérios com mulheres (casamento ou coabitação), alegando que o convívio é prejudicial ao homem.
    Masculinismo: Embora o termo possa designar o estudo das masculinidades, no contexto da machosfera, refere-se a grupos que pregam a recuperação de uma suposta "masculinidade perdida" e combatem pautas feministas.

Outras Classificações Comuns são:

  • Alfas e Sigmas: Termos usados para hierarquizar os homens com base em comportamento e status social. O "macho alfa" seria o líder dominante, enquanto o "sigma" seria um lobo solitário, bem-sucedido mas independente de hierarquias sociais.
  • Coaches de Masculinidade: Influenciadores que utilizam o discurso de autoajuda para vender ideologias machistas e técnicas de "conquista" baseadas na manipulação e submissão feminina.
    Esses movimentos são monitorados por órgãos como a ONU Mulheres e especialistas em segurança digital devido à sua conexão com crimes de ódio e violência.

Combater os novos movimentos machistas e a radicalização na machosfera exige uma estratégia que combina educação, mobilização social e rigor jurídico.

Medidas Práticas e Estratégicas precisam ser adotadas, identificar e denunciar conteúdos que violem as regras de comunidade sobre discurso de ódio e misoginia. As plataformas têm sido pressionadas a aprimorar a moderação para evitar a monetização de conteúdos extremistas.

Promover a capacidade crítica de jovens e adolescentes para que saibam identificar táticas de manipulação e desinformação usadas por "coaches" e grupos radicais.

Apoiar e aplicar leis específicas, como a Lei Lola (que atribui à Polícia Federal a investigação de crimes de ódio contra mulheres na internet) e novas propostas de criminalização do discurso misógino.

Incentivar espaços de diálogo para homens que buscam romper com modelos tóxicos de comportamento, oferecendo alternativas saudáveis de identidade masculina.

O Brasil oficializou o Pacto Nacional para o Enfrentamento ao Feminicídio, que integra os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para endurecer penas e agilizar medidas protetivas.

O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, atualizado e assinado em fevereiro de 2026, é uma iniciativa que une os três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário) para enfrentar a violência de gênero de forma coordenada em todo o país.

Porque isso não é um problema delas, é um problema nosso!

Sérgio Ricardo Araújo Rodrigues - Advogado e Professor Universitário.