Precisamos falar sobre Alienação Parental
A família é extremamente importante para o desenvolvimento de seus componentes
A família é extremamente importante para o desenvolvimento de seus componentes.
Meu núcleo familiar hoje é representado pela minha esposa, seus dois filhos e meus dois filhos, todos muito queridos e amados.
Minha esposa como exemplo de dignidade e nossos filhos como exemplo de doçura e encorajamento.
Crescemos e aprendemos com cada um.
Tal sentimento me faz meditar em como não devemos admitir posicionamentos como alienação parental.
Como advogado, tenho presenciado inúmeros casos de alienação parental realizado ora pelo pai, ora pela mãe.
A alienação parental é a prática caracterizada quando um dos genitores usa da sua relação de poder e afeto com a criança para a manipular com o intuito de afastá-la do outro genitor, tal conduta pode ser praticada também por avós ou responsável legal, o genitor que induz ou manipula a o menor é chamado de alienador. Geralmente, o alienador tenta dificultar a convivência da criança com o genitor alienado, usando a criança para atingir o outro.
Em algumas situações um dos genitores dificulta as conversas diárias com os filhos, tenta substituir a relação existentes com aqueles que são seus novos parceiros, tudo isso realizado com bastante sutileza, mas que causa um mal durador.
Outras vezes, simplesmente impedem que os filhos tenham qualquer acesso presencial ou virtual aos seus filhos ou se utilizam de medidas judiciais descabidas para atrasar este contato e convivência, neste ponto, já vi casos onde foram interpostas mais de 10 ações sem fundamentos, como “bolas de fumaça”.
Vi casos, onde uma genitora sempre organiza viagens prazerosas com os filhos justamente nas datas que deveriam estar com o genitor, tentando rarear os encontros entre genitor e filhos.
Ambos os pais tem a importante missão na transmissão de valores, conceitos e limites aos filhos, pois essa série de fatores refletirá na conduta e no caráter do menor, influenciando assim no bom convívio da criança em sociedade.
Entende-se que, a Alienação Parental causa grandes consequências no desenvolvimento do menor, desde a parte psicológica até seu convívio em sociedade, tais consequências podem até perdurar na vida adulta como reflexo do convívio em um ambiente de conflitos. Dessa forma, além do dever dos genitores em relação ao menor, é dever do Estado resguardar o Direito da criança e do adolescente, com o intuito de garantir a integridade psicológica do menor, uma vez que o risco de danos emocionais pode prejudicar em seu desenvolvimento e até na sua vida adulta.
Crianças não são armas para o uso e controle covarde de anseios desumanos e irracionais, frase esta que lembra a linda e dura poesia de Rodolfo Pamplona, Alienação Parental – Além da Lei (o poema):
“Qual é o sentido de ser deixado só? Qual é o significado de virar joguete de quem o criou? O que faz alguém transformar o fruto do amor em uma forma para torturar alguém a quem já se entregou? Como imputar tamanha dor a quem não pediu sequer para vir ao mundo viver ou provar o seu sabor? Quando filhos viram massa, só se constrói um muro de tristeza; Quando filhos viram moeda, só se paga o preço do rancor; Quando filhos viram brinquedos, só se joga o jogo do ódio; Quando filhos viram propriedade, só se é dono do seu próprio veneno... Morte, tragédia, culpa, homicídio doloso da inocência isolamento, depressão, raiva convertida em manipulação roubo, furto, perda, em pungente sede de não, vítima que é assassina também de seu próprio eu, em uma Medéia que ensina o avesso de amar o seu para, ao mesmo tempo, nunca mais ser de ninguém... Não seja algoz de quem te ama. Não seja cúmplice da frustração. A vida vai além da lei e da cama e o mundo não é só comiseração. Se relacionamentos terminam, filhos são para sempre... Se partir é doloroso, mas ainda é deixar de ser gente...”
Sérgio Ricardo Araújo Rodrigues - Advogado e Professor Universitário