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Como lidar com familiares que não trabalham na empresa, mas influenciam nas decisões

Em praticamente toda empresa familiar, existe um ou mais familiares que não trabalham diretamente no negócio, mas que, de forma velada ou explícita, influenciam decisões estratégicas

Por Domingos Ricca

Decisões empresariais

Em praticamente toda empresa familiar, existe um ou mais familiares que não trabalham diretamente no negócio, mas que, de forma velada ou explícita, influenciam decisões estratégicas. São cônjuges, irmãos, sobrinhos, filhos ou outros parentes que, mesmo sem cargo formal, opinam sobre contratações, investimentos, sucessão, distribuição de lucros e, muitas vezes, sobre quem deve ou não assumir determinadas funções.

Esse cenário, comum e muitas vezes ignorado, pode se transformar em um verdadeiro “campo minado” quando não existe clareza sobre papéis, responsabilidades e limites. O que começa com uma “opinião de boa intenção” pode evoluir para disputas internas, interferências nas decisões da gestão e conflitos familiares que atravessam gerações.

Um dos grandes riscos de permitir interferências externas nas decisões da empresa familiar é que, na maioria dos casos, quem influencia não arca com as consequências dessas decisões. Opinam, pressionam e questionam, mas não participam da execução, nem compartilham dos ônus. Isso gera desequilíbrio, descredibiliza quem está no comando e mina a confiança dos gestores sejam eles fundadores, sucessores ou executivos contratados.

Quando a empresa não tem mecanismos claros de governança, decisões acabam sendo tomadas com base em vínculos emocionais, e não em critérios técnicos ou estratégicos. E é exatamente nesse ponto que muitos negócios familiares começam a se fragilizar.

Ferramentas como acordos de sócios, conselhos de administração ou consultivos e regras de sucessão ajudam a transformar decisões subjetivas em decisões institucionais.

Quando essas regras estão bem definidas e formalizadas, não é mais o familiar que diz “não” a outro familiar, é a empresa. E isso faz toda a diferença!

Muitos empresários acreditam que adotar governança pode “engessar” ou “formalizar demais” o negócio. Na prática, acontece o contrário: a governança traz liberdade com responsabilidade. Ela permite que a família continue unida, sem que as emoções interfiram nas decisões que devem ser racionais e técnicas.

Se hoje a empresa depende do bom senso de cada familiar para evitar conflitos, o alerta está dado: isso não é sustentável no longo prazo.

Famílias mudam, gerações se renovam, interesses divergem e sem regras claras, o que antes era união pode virar disputa.

Domingos Ricca
Sócio fundador da Ricca Associados